
Meu nome é Roberta, tenho 44 anos, sou assistente social, mãe de duas filhas. Sou do Rio de Janeiro,mas moro aqui há quase dez anos.Meus pais já faleceram e , hoje, eu não tenho família por perto. Moro de aluguel e sigo tentando dar conta da vida do jeito que dá. Em Dezembro de 2023, eu recebi a notícia que mudou tudo: câncer de mama. A partir daquele dia, minha vida deixou de ser a vida que eu conhecia. Até então eu trabalhava na prefeitura, tinha rotina, planos, uma certa estabilidade. Em Janeiro de 2024, precisei parar de trabalhar para iniciar o tratamento e fui afastada pelo INSS. Em Março, meu contrato acabou e eu fui desligada. Foi como se, junto com o diagnóstico, eu tivesse perdido o chão, o trabalho e a segurança de uma vez só. Em Fevereiro de 2024 comecei a quimioterapia. Foram seis meses de tratamento pesado, doloroso, cansativo. Meu corpo mudou, minha mente mudou, meu jeito de existir mudou. Eu precisei ser forte quando , na verdade, eu só queria descansar.eu sobrevivi a cada sessão , mesmo com medo , mesmo cansada , mesmo sem saber como seria o amanhã.
Em setembro de 2024 fiz a primeira mastectomia , na mama esquerda.
Em abril de 2025 precisei passar por outra cirurgia na mama direita , depois de descobrir que tenho uma mutação genética , o que tornava muito grande a chance de o câncer voltar .
Foi alí que eu entendi que essa doença não ia simplesmente passar pela minha vida , ela ia deixar marcas.
Durante esse processo , precisei retirar os linfonodos do braço esquerdo . Desde então, meu braço nunca mais foi o mesmo , sinto dores todos os dias e vive inchado. Eu não tenho forças nem mobilidades , não consigo fazer as tarefas mais simples dentro de casa , Pois não posso pegar peso .
Os médicos foram claros , essas sequelas são definitivas .
Ouvir isso foi como viver um luto pelo corpo que eu tinha , pela autonomia que perdi .
Em outubro de 2025 , precisei retirar os ovários e as trompas novamente, por causa da mutação genética.
Em Dezembro de 2025 , fiz a cirurgia para a retirada do expansor e colocação de prótese. Não foi por estética e nem por vaidade , foi só para fechar o ciclo cirúrgico , para que meu corpo tivesse algum tipo de reconstrução mínima depois de tudo que foi tirado.
Hoje , faço uso continuo de medicações do tratamento oncológico e também de anti- depressivo.
Não é fraqueza e sim consequência . Meu emocional não saiu ileso de tudo isso .eu não sou mais a mesma pessoa que eu era antes do câncer.
Tento seguir mas carrego limitações física , dores constantes e um cansaço que não é só do corpo .
Para piorar , recentemente meu benefício do INSS foi encerrado . Só consegui agendar nova perícia para o dia 25 de março , até lá vou ficar meses sem receber nada .
A insegurança financeira soma mais um peso de tudo que eu já carrego , o medo de não conseguir pagar as contas , de não dar conta do básico é diário.
As sequelas que ficaram são definitivas , minha capacidade de trabalho foi profundamente afetada . Minha vida mudou completamente.
O câncer não levou só parte do meu corpo , levou projetos , rotinas , certezas e a idéia de futuro que eu tinha antes .
Esse texto é o meu registro mais sincero , é a minha verdade. Eu sigo lutando , mas também sinto dores , medo e exaustão. Vivo um dia de cada vez , confiando que , mesmo quando não tenho forças , o senhor Jesus me carrega e me mantém em pé.