
Meu nome é Daniella.
Sou por Maria Antônia, minha mais velha, de 7 anos.
Sou por Johnas, meu caçula, de 5 anos. Johnas é autista e só por ele já preciso ser duas.
Segurei até onde consegui, mas não dá mais. Me sinto sozinha e minha vulnerabilidade já extrapolou todos os limites do saudável. E cada vez mais vejo isso expondo meus filhos a dificuldades e limitações e contribuindo para uma situação de stress constante, fragilidade emocional em todos nós, e uma culpa que me corta o peito.
Meu filho tem necessidades especiais tremendas de atenção especializada, constante e profissional.
E é na qualidade de vida dele que sinto o maior impacto de minha vulnerabilidade econômica.
Johnas estuda de manhã numa EMEI próxima de casa. Mas por melhor que seja a estrutura e acolhimento na escola, isso é apenas no período matutino, e sem atenção especializada. O resto do dia ficam ambos em casa comigo.
Johnas tem forte restrição alimentar,o que é desafiador e financeiramente insustentável. Daí também a necessidade de acompanhamento de terapia alimentar profissional.
Até agosto / 2022 eu conseguia que tivesse suas sessões de terapia comportamental e alimentar nas tardes, o que permitia que se desenvolvesse plenamente.
Pois desde então tudo começou a desmoronar. Em maio 22 me separei do pai das crianças. Vim me sustentando com juros sobre aplicação fruto de anos de trabalho investidos.
No começo desse ano o que vinha me sustentando simplesmente secou, de uma hora pra outra. Precisei abdicar de tudo, sair da casa que alugava, vender bens e rapidamente me instalar num novo lugar. Johnas nunca mais fez terapia.
Hoje estou desempregada, passo o dia inteiro com eles, um minuto de desatenção pode ser a brecha para que Johnas tire a fralda e pinte as paredes com cocô. O esforço físico é constante, o mental é constante e não paro o dia inteiro.
O valor aqui pedido não tem relação com minhas dividas ou com o passado que bate à minha porta. Ele é a tentativa de resposta ao momento presente e aos próximos meses. Preciso desse dinheiro para também ter tempo. Tempo para trabalhar e me reerguer, e com isso voltar a dar qualidade de vida aos meus filhos. Tempo para que todos possam ter o acolhimento certo, para que eu possa voltar a ser mãe e provedora, muito além do sobreviver, para voltarmos a existir como família sem medo do dia seguinte.