
Meu nome é Beatriz. Bruno tem sido meu companheiro de vida desde 2022. Fiz essa vaquinha para ajudá-lo a se manter na Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), uma universidade pública internacional de referência para o povo brasileiro e para o povo negro.
Bruno é um homem preto de 27 anos, que cresceu e mora na periferia de Salvador. Bruno estudou em escola pública, fez EJA (Ensino de jovens e adultos), foi aluno do Instituto Steve Biko e entrou na Unilab em 2019. Em grande parte da sua trajetória a universidade pública foi uma realidade distante e até hoje, segue sendo um espaço de difícil acesso.
Bruno é atravessado por violências e desigualdades que não controla, inerentes a estrutura racista - seja o desemprego, a dificuldade financeira ou a falta de uma rede de apoio para permanecer numa universidade. Desde que entrou na Unilab tem lidado com obstáculos e barreiras.
Com o retorno das aulas presencias esse semestre, mais uma vez as dificuldades se apresentam. Atualmente, Bruno está desempregado, segue buscando um trabalho (que ele consiga associar a carga horaria/demandas da universidade pública), mas por enquanto não tem suporte financeiro. A dificuldade financeira têm impactado em vários aspectos da vida de Bruno, na sua alimentação, no seu deslocamento e na sua manutenção na Universidade.
A Unilab fica em São Francisco do Conde e as passagens (ida e volta) por dia custam 25 reais. A partir da próxima semana, são 80 dias de aula (Bruno tem matérias 4 dias na semana) até o final do semestre (14 de julho). O valor dessa vaquinha é pensado a partir do valor das passagens, de um valor justo para sua alimentação e/ou de possíveis gastos com materiais para estudo.
Essa vaquinha é um gesto de amor. Resolvi criá-la por entender que o racismo nos violenta, nos fere e mutila os nossos sonhos e desejos; mas que vale a pena insistir e pedir ajuda.
É, de fato, algo pontual, mas que abre possiblidades para Bruno permanecer na Unilab (por mais um semestre), dá pra ele a possibilidade de ir para as aulas, e mais que isso: sem a angústia e o medo de não ter dinheiro para o dia seguinte.
Peço ajuda e agradeço desde já a quem puder ajudar esse sonho-projeto. Acredito que é melhor caminhar junto e que continua valendo a pena insistir no que faz sentido pra nós. Conto com vocês, obrigada.