Vaquinha criada em: 25/01/2021
Eu tenho um sonho... Tenho receio, medo, vergonha de dizer, pois não me sinto merecedora de correr atrás da realização desse sonho através da ajuda de terceiros, pois sei que têm muita gente em situações cuja ajuda seria mais "necessária". Porém minha psicóloga me disse que indiferente de qual seja o sonho (ou o problema) de alguém, todos somos merecedores de correr atrás para realizar ou resolver a situação atual em que cada ser se encontra. Eu não me sentia (ou não me sinto) merecedora pelo simples fato de ter sentimentos de inferioridade e por mais que trabalho minha auto estima, hora ou outra, a sensação de ser inferior aos demais, bate a porta. Me relacionei aos 15 anos com um rapaz, cujo engravidei dele e fui morar junto. Meses depois, ele começou a me agredir, físico e psicologicamente e por oito anos vivi nessa relação tóxica e tive mais um bebê, do qual hoje tenho meus filhos: Guilherme 15 anos e Felipe 10 anos. Dessas duas gravidez, junto a depressão, baixa auto estima e muitos maus tratos, eu engordei muito, tive diástase abdominal devido a duas cesarianas e pré disposição de genética familiar. Após anos de maus tratos, decidi estudar, adquirir um diploma e uma profissão para sair da relação tóxica pois não tinha o apoio dos meus pais para separar, pois seguido segundo eles, não queriam uma filha mãe solteira de volta à casa deles, e se "fiz minha escolha errada", que arcasse com as consequências. Enfim... Eu estudei na modalidade EAD (a distância) mas ia na faculdade uma vez na semana, e tomava uma surra sempre que chegava da faculdade (por ter ido estudar). Foram tempos difíceis, muitas vezes chegar da faculdade, pegar meu filho na avó (paterna) e chegar em casa sabendo que iria apanhar na presença da criança. E após apanhar, muitas vezes engolia o choro e ia até uma vizinha, pedir um pouco de leite para dar uma mamadeira ao meu bebê para ele dormir de barriga cheia, pq a pai gastava tudo no bar pois era alcoólatra e viciado em jogo de mesa. Com muito sacrifício, me formei na faculdade, o pessoal da faculdade que já conhecia minha história, me ajudou e eu arrumei um emprego, esperei passar período da experiência e decidi finalmente me libertar. Viajei 200km para deixar meus filhos com minha mãe, para que eles não presenciassem a separação pois sabia que não seria fácil. Minha mãe, disse mais uma vez que não era pra eu separar, mas dessa vez tive coragem de enfrentar e apenas disse que não estava pedindo permissão, apenas informando da minha decisão e pedindo para que ficasse com seus netos para poupa-los do que eu iria enfrentar para separar. Voltei sozinha, e fiz o que era preciso. Num dia após ele ir para o trabalho, fiz as malas dele e troquei todas as fechaduras. Faltando cinco minutos para ele chegar, coloquei as malas no lado de fora e me tranquei em casa. (Deixei os vizinhos sob aviso, de que haveria possível confusão) E foi o que houve, não precisa nem descrever aqui como foi difícil ouvir os chutes, murros no portão, gritos, palavrões e ameaças, e o terrível medo que fiquei dele conseguir entrar e fazer algo comigo ali. Mas alguns homens (vizinhos) saíram pra fora e falaram pra ele pegar a mala e "vazar", que eu fiz o que já deveria ter feito a anos, (pois todos já sabiam do que eu passava). Enfim, ele acabou cedendo e indo embora, mas me ameaçou e disse que voltaria, que uma hora eu teria q sair de dentro da casa. Foram anos difíceis pela frente, surras que tomei mesmo estando separada, pois ele vigiava cada passo meu, entrou na minha casa pra me agredir várias vezes. Foi cansativo viver aquilo sozinha, chamar polícia, boletim, corpo de delito, delegacia feminina, medidas protetivas (nunca respeitadas), leis falhas... Tentativas de me relacionar novamente, frustadas pois ele caçava confusão com todo homem que eu tentava me aproximar, e a pessoa por medo de envolver com mulher "problemática" saíam fora. Enfim, após uns 3 anos, conheci uma pessoa especial (do qual vivo com ele hoje e tenho mais uma filha), uma relação saudável e respeitosa, um homem íntegro, honesto, sem vícios e de uma coração maravilhoso. Que me ama e me respeita pela mulher que sou, que aceita minhas cicatrizes e meu passado e me encoraja a ser sempre minha melhor versão, e amadurece dia após dia comigo. Mas ainda tenho as marcas físicas do passado, das depressões e traumas que vivi, além da predisposição genética, estou acima do peso, com muita flacidez devido a muitos reganhos de peso após dietas frustadas pela falta de apoio e incentivo... E a diástase abdominal das 3 cesarianas. Voltando a falar do meu sonho, que nessa altura já se deve ter uma noção do que seja, sei que devo ser grata por tudo que superei e pelo que sou e tenho hoje, e por ter meus filhos fortes e saudáveis, pois lutei pra dar a eles o melhor de mim, e consegui! O meu sonho é consertar meu corpo com uma cirurgia plástica, fazer uma abdominoplastia e uma mastopexia. Ter de volta uma alto estima que toda mulher deve ter, olhar no espelho e me sentir bem comigo mesma! De um tempo pra cá eu e meu atual marido, lutamos para conquistar a condição de pagar por esses procedimentos, mas temos nossas demandas: meus dois filhos do primeiro relacionamento, os filhos dele (que também tem dois do primeiro casamento dele e que é muito presente na vida dos filhos dele) e a nossa filha que temos juntos. Não estou aqui dizendo que passo necessidade pq não passo! Conseguimos dar uma vida digna para nossos 5 filhos. Vivemos bem! Mas infelizmente meu sonho, não conseguimos realizar e meu marido muitas vezes se sente frustado por não conseguir prover condições para me ver realizada e se sente mal por isso. E eu também me sinto mal por ver ele assim pq entendo a frustração dele como homem. Enfim... Entendo se acharem que existem casos mais "necessários" do que o meu, pq sim, existem! Mas se acharem que podem me ajudar, ficarei eternamente grata com vocês! Deus abençoe sempre o trabalho de cada um! #gratidao por ouvir (ler) minha história (ou um pedaço dela)