
Tudo começou quando, na noite anterior, ele lavou com todo cuidado o seu carro — um Monza preto com um bagageiro no teto — e o deixou estacionado. Porém, ao chegar no local bem cedo na manhã seguinte para pegá-lo, teve uma péssima surpresa: o carro havia sido roubado.
Esse roubo é um golpe enorme na vida dele, porque o carro é, literalmente, a ferramenta do seu ganha-pão. Ele usava o Monza para rebocar a carrocinha de pipoca pelas ruas. Além disso, toda a sua mercadoria e material de trabalho estavam guardados no porta-malas. Para piorar a parte financeira, ele tinha acabado de investir na compra de milho para tentar vender em Itaboraí no fim de semana, já que as escolas entraram em férias de julho e o movimento na sua região ia cair. Sem o carro, ele simplesmente não tem como trabalhar.
Mas o que torna a história ainda mais dolorosa é o momento em que isso aconteceu. Naquela exata manhã, o Ti estava se preparando para viajar até Cabo Frio para resolver uma questão profundamente triste: ele precisava fazer a exumação dos ossos do seu filho que faleceu. Ele já havia tentado fazer isso na segunda-feira, mas não conseguiu por falta de documentos. Quando estava pronto para tentar de novo, encontrou a rua vazia onde o carro deveria estar.
Muito abalado, ele gravou um vídeo desabafando que falta amor e coração nas pessoas que cometem esse tipo de crime contra um trabalhador. Agora, ele está pedindo desesperadamente que a população de Rio Bonito forme uma "corrente do bem". O apelo dele é para que, se alguém vir um Monza preto com bagageiro abandonado pela rua, entre em contato imediatamente com o pessoal do Colégio Sinapse ou com os comerciantes locais que o conhecem, para que ele possa recuperar o carro e a sua dignidade de voltar a trabalhar.