
Oi, meu nome é Milena, eu tenho 15 anos.
Eu tô no ensino médio e dizem que essa fase é pra sonhar alto, mas meus sonhos andam rastejando no chão de casa, desviando das goteiras.
Minha família é pobre. Não é “pobre de filme”, é pobre de verdade. Daqueles que contam moeda, que reaproveitam tudo, que fingem que não estão com fome pra não preocupar ninguém. Aqui em casa, quando o gás acaba, a gente reza pra acabar o mês junto.Minha mãe trabalha demais e ainda assim não é o suficiente. Meu pai faz bicos quando aparece. À noite, eu escuto eles conversando baixinho, como se o problema fosse diminuir se falassem sussurrando. Spoiler: não diminui.
Eu choro escondida no banheiro. Não porque quero desistir, mas porque quero continuar. Quero terminar o ensino médio. Quero provar que pobreza não é sinônimo de fracasso. Quero estudar, mesmo quando tudo parece dizer “para”.
Às vezes eu me sinto culpada por querer coisas simples. Um caderno novo. Um estojo que fecha. Uma mochila que não tenha rasgo. Parece pecado desejar o básico quando falta o essencial.
Eu só quero chance.
Se você estiver lendo isso e achar que é só uma história, saiba: tem milhares de meninas como eu. Com nome diferente, mas com o mesmo aperto no peito. A gente não pede pena. A gente pede oportunidade.
Meu nome é Milena.
Tenho 15 anos.
E tudo que eu quero é continuar estudando, mesmo quando o mundo insiste em me empurrar pra fora da sala de aula.