
Sou Juliana Rosas, tenho 43 anos, moro em Recife com minhas maravilhosas 3 filhas, de 14 anos e gêmeas de 7 anos.
Desde já agradeço imensamente a leitura destas palavras. Não teria como ser breve, mas tentarei resumir ao máximo. A real mesmo só cabe em um livro de muitas páginas. Algumas coloridas, outras não.
Quando se é mãe e quando o sonho é genuíno e tão imenso, a gente percebe que o importante mesmo é alcançá-lo, de forma honesta e, porque não, com ajuda! Logo eu, que não tenho costume de pedir ajuda. Não tinha, até ter três filhas e ter que dar conta das trê sozinha. Aí, não tem orgulho. E a gente precisa entender que não somos ninguém sozinhos. Mesmo sem pedir ajuda, sempre precisamos das pessoas na vida cotidiana. Cada um tem um papel na sociedade e cada um deles é fundamental para a evolução do coletivo.
Eu que sempre fui muito independente, trabalhei desde muito jovem, 17 anos já fazia estágio na área de turismo, onde trabalhei até meus 38 anos. Passei por vários cargos, cheguei alto, onde sempre quis chegar. Mas a vida deu uma reviravolta e fiquei sem trabalho, vindo me recuperar alguns anos mais tarde. Na verdade, fui vitima de um golpe e a empresa a qual me dediquei e pela qual voltei a morar em Recife, deu calote em todos os pssageiros, funcionarios e fornecedores. E assim foi como fiquei fora do mercado de trabalho, numa cidade nova, depois de 10 anos fora, numa área onde quem quer entrar tem que se humilhar e começar do zero, ganhando uma miséria. Eu nao merecia passar por tudo isso de novo, depois de 20 anos de carreira onde ja tinha feito de tudo.
Em 2017, eu travalhava de dia numa empresa de turismo e de madrugada fazia alfajor. Em 2018 minhas gêmeas nasceram e lembro tão bem quando elas acordavam para mamar e eu estava lá na produção. Parava tudo, cuidava delas e seguia. Ao amanhecer, trabalhava home office. Não sei ainda, de onde tirei energia para fazer tanta coisa ao mesmo tempo!
Até que decidi "apenas" empreender pensando em dar um futuro melhor para minhas filhas. Deixei o trabalho fixo para me dedicar à fabrica de alfajores e para ter tempo de cuidar das minhas filhas, talvez descansar um pouco porque a jornada não era dupla, era tripla, quadrupla! Eu não parava nunca. Mas, a pandemia impactou no meu negócio e precisei fechar.
E assim a vida foi seguindo com enormes dificuldades financeiras e sobretudo no cuidado das minhas filhas, sempre sozinha. Mas sempre estive de pé, com o pensamento firme de que dias melhores chegariam!
No caminho, fui resgatada por uma amiga que confiou na minha capacidade e me deu a oportunidade de trabalhar novamente.
Em 2021, voltando para casa de ônibus, passei por uma faculdade, na qual, há anos atrás, eu tinha prestado vestibular, mas afinal, tinha optado por outra faculdade e outro curso.
E tive uma epifania…
Seria PSICÓLOGA. Aquele era meu sonho e meu desejo real desde a adolescência. E o destino tinha apenas me levado por outros caminhos mas, finalmente a hora tinha chegado. E tudo estava muito claro naquele momento.
No dia seguinte, procurei as faculdades e finalmente consegui uma bolsa para estudar remoto. Assistia às aulas com minhas filhas do lado porque tinha que cuidar da hora de dormir das três. Minhas professoras devem lembrar que de vez em quando escutavam uma vozinha do outro lado, comentando sobre as aulas. A preferida delas era anatomia. E depois andavam falando sobre o hipocampo e hipotalamo 🤭
Logo as aulas presenciais se tornaram obrigatórias e eu não pude mais cursar porque não tinha com quem deixar minhas filhas. Nesse momento eu era casada, mas o pai das minhas filhas nunca ficou um dia com elas para eu poder ir para a faculdade, nem trabalhar, nem ir ao medico, colocar para dormir, dar banho, nem levá-las à escola. Nada. Tudo sempre fui eu.
Consegui cursar mais alguns periodos com a ajuda da minha mãe, que cuidava das minhas filhas. Contudo, ela já é idosa e não pode ficar o tempo todo com minhas filhas, pois já fica para que eu possa trabalhar.
Além disso, o pagamento das parcelas se tornou impossível, mesmo tendo bolsa. Cheguei a solicitar bolsa total, mas não consegui.
Atualmente, eu preciso dar conta das necessidades básicas das minhas 3 filhas.
Quem é mãe solo, vai saber que nunca é o bastante. Que sempre falta algo, que as necessidades são infinitas e nós precisamos sempre estar “dando um jeito”. Sendo assim, a manutenção das minhas filhas é prioridade e o pagamento da minha faculdade, mesmo sendo tambem uma prioridade, perde qundo falamos de necessidades básicas.
Mas eu não quero desistir. Eu não posso desistir.
Precisei trancar o curso novamente este ano. Já pela terceira vez.
Durante o tempo que cursei, demonstrei dedicação, habilidade e aptidão no curso e obtive, em todas as disciplinas, notas entre 9.0 e 10.00, e posso dizer, com toda humildade, que serei uma excelente Psicóloga.
Um dos meus bjetivos como Psicóloga, é acolher as pessoas, com profundo conhecimento da Psicologia, com ética e empatia. Entendendo e fazendo entender a importância da saúde mental na vida de todos, como parte fundamental para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade.
Pretendo, além de abrir meu consultório, trabalhar com Psicologia Social, ajudando a mulheres em situação de vulnerabilidade e em situação de violência.
Ao me tornar Psicóloga, terei melhores e mais justas possibilidades profissionais e independência financeira, imprescindível para proporcionar uma melhor qualidade de vida para minha família.
O primeiro passo para conquistá-lo, é concluir a faculdade.
Mas isso só será possível com a ajuda de vocês.
Esta Vakinha está com um objetivo de R$22.725,00 que corresponde a 5 semestres, com valores atuais, considerando a bolsa que eu tenho na faculdade. Se chegarmos em R$4.545,00 até junho, eu já poderia me matricular para o próximo semestre.
Agradeço imensamente a generosidade e a atenção de vocês!
Com amor, Juliana Rosas