
Esse texto é muito mais do que um pedido de socorro.
Essa pode ser uma carta aberta para as minhas filhas; pode ser um grito pela tua ajuda; mas também um conjunto de coisas que eu preciso admitir para mim mesma.
É difícil aceitar o fim da vida.
Difícil assimilar cada nova notícia sobre o fim.
“Luciana, o câncer no estômago também passou para o intestino”, ele me disse.
Assim, sem mais nem menos, como se o mau pudesse simplesmente passar pelo meu corpo deixando rastros, sem pedir minha permissão.
Antes disso, eu já não podia respirar como antes, já não podia levantar os braços, e nem fazer as tarefas domésticas.
Eu, que todo o dia acordava pra cuidar da minha família e limpar a nossa casa, que sempre fui orgulhosa e me considerei uma ótima dona de casa, hoje já não sou mais dona de nada.
Nem de casa.
Nem de mim.
E eu tentei conviver com isso, acreditem. Com as novas limitações, com o novo rumo que a minha vida tomou. Tentei não pedir ajuda e aceitar que duas hérnias de disco cervicais me deixaram extremamente limitada e que nem as minhas três filhas eu poderia ajudar mais.
Larissa, Melissa e Andressa, eu realmente tentei.
Até saber do câncer.
Até olhar para vocês e ver que eu não estava tentando, eu estava aceitando.E foi aí que eu resolvi lutar, quando me dei conta que eu ia me acomodar e deixar tudo pra trás: coisas que eu queria ter dito e nunca falei, brigas que eu queria ter desfeito, lugares que eu queria ter conhecido, experiências que eu queria ter vivido, noites em que eu deveria ter dançado e músicas que eu deveria ter cantado.Mas eu ia principalmente deixar pra trás todo o amor e o esforço de vocês.
E eu vou seguir lutando.
Mesmo que no dia 27/12/2022 eu tenha literalmente infartado e que isso tenha feito eu perder uma cirurgia que já estava marcada.
Mesmo que a minha lista de empecilhos aumente a cada dia: com o câncer se espalhando pelo corpo, com duas hérnias cervicais, com duas mamárias e três cateterismos, com diabetes do tipo 02 e com todos os problemas no meu coração.Eu vou seguir lutando.
E é por isso que não tenho vergonha de pedir ajuda, porque eu quero ter a esperança de continuar vivendo.
Quero estar viva pra poder retribuir pro mundo toda a ajuda que estou recebendo.E faltam seis meses, só.
Seis meses é o tempo que o doutor disse que eu levaria para me fortalecer depois desse último infarto, pra continuar meu tratamento do câncer e para juntar o dinheiro necessário para a minha cirurgia de hérnia.
Só seis meses para que tudo comece a dar certo, Larissa, Melissa e Andressa.
Eu rezo e acredito que vai dar.