
Os tratamentos, principalmente o uso prolongado de corticoides, trouxeram consequências difíceis: ganho de peso, inchaço, atraso no crescimento — tenho 1,45 de altura — e mudanças no meu corpo que afetam diretamente a minha autoestima. O meu rosto é mais cheinho, e isso infelizmente vira motivo para olhares, julgamentos e comentários cruéis. As pessoas falam do meu peso como se fosse algo normal, sem imaginar o quanto essas palavras machucam e me derrubam emocionalmente.
Além da dor física, existe a dor do preconceito. Enfrento dificuldades simples do dia a dia, como pegar um ônibus, lidar com a falta de respeito com pessoas cadeirantes e com a deficiência em geral. Cada dia traz um estresse diferente, uma nova prova de resistência.
Já pensei muitas vezes em desistir. Em largar tudo, abandonar os tratamentos e simplesmente deixar acontecer. Ouvir que “é só se esforçar mais” dói, porque ninguém vê que são mais de 15 anos lutando contra o próprio corpo, contra a dor e contra a própria mente. Não é fácil vencer todos os dias.
Às vezes, tudo o que eu queria era sentar e desabar no choro. Com o tempo, até sorrir se tornou difícil. Hoje, quando tento, os músculos do meu rosto chegam a tremer, talvez por falta de costume… talvez pelo peso de tudo o que vivi.
Mesmo assim, eu sou grata por ainda existir. Por estar aqui. Pela força que, mesmo cansada, ainda encontro dentro de mim. A minha história não é de fraqueza, é de resistência.
A partir de agora, quero compartilhar mais sobre a minha trajetória e sobre como é conviver com a artrite idiopática juvenil. Não para causar pena, mas para dar voz a quem vive uma luta silenciosa todos os dias — e para lembrar que por trás de cada corpo existe uma história que merece respeito. #art