
***As fotos estão ao final do texto.
Me chamo Daniel, sou brasileiro do Rio Grande do Sul, advogado (OAB/RS n⁰ 134074) e criei esta campanha para ajudar a família do meu amigo Hamza Husam Ahmed, de Gaza.
Sua ajuda pode colocar comida na mesa dessa família ainda esta semana. Hoje, seis pessoas dependem da solidariedade de quem está lendo estas palavras.
Hamza e sua família perderam tudo nos bombardeios em Gaza. A casa e o pequeno comércio da família foram completamente destruídos. Hoje vivem em uma pequena barraca — seis pessoas no mesmo espaço — e enfrentam dias sem comida e sem água potável.
Desde o início da guerra, em 2023, eles já foram deslocados 7 vezes.
Gaza está em ruínas, e encontrar trabalho tornou-se algo extremamente difícil. Há meses, Hamza tenta encontrar qualquer forma de renda, mas a realidade é que quase tudo foi destruído e as possibilidades são raríssimas.
Mesmo após o cessar-fogo, a fome e a falta de água potável continuam atingindo muitas famílias em Gaza. A ajuda humanitária é insuficiente e não chega a todos — especialmente nas áreas mais distantes, como o bairro onde Hamza e sua família moram. Quando há doações de alimentos, elas raramente chegam até lá.
A pouca água disponível é contaminada, e a família não tem condições de comprar água limpa nos mercados locais. Nas raras vezes em que conseguiram receber sacos de alimentos doados, Hamza e seu irmãozinho de 11 anos precisaram caminhar mais de 4 km e enfrentar filas enormes para conseguir levar comida para a barraca em que vivem.
Esta campanha foi criada para que a sua ajuda chegue onde a ajuda humanitária não consegue chegar. O objetivo é arrecadar recursos para que a família possa comprar alimentos e água potável nos mercados locais de Gaza por pelo menos 3 meses, garantindo que tenham o básico para sobreviver com dignidade, até que Hamza e seus familiares consigam emprego.
Compromisso de transparência: todas as transferências a Hamza relativas aos valores arrecadados terão seus comprovantes postados neste perfil da campanha, bem como notas/cupons fiscais das compras nos mercados de Gaza, para que você possa acompanhar o uso do dinheiro arrecadado.
Como chegamos ao montande solicitado de R$ 8.893,08?
Nosso objetivo é garantir a alimentação da família por, pelo menos, 3 meses, até que Hamza e seus familiares consigam um emprego.
Em Gaza, a moeda utilizada para compras é o shekel israelense. Nosso real brasileiro é desvalorizado em relação à moeda israelense. Na data de hoje, 17/02/26, R$1.00 real brasileiro equivale a 0,59 shekel. Por exemplo: R$100,00 reais equivale a apenas 59,37 shekel.
Uma família de 6 pessoas, como a de Hamza, precisa de aproximamente 1.600 shekel ao mês para se alimentar. Logo, 3 meses de alimentação tem o custo de 4.800 shekel. Essa quantia equivale, em reais do Brasil, a R$8.084,62. Devido ao fato de que é necessário pagar a taxa de 10% ao Vakinha no momento do recebimento do valor arrecadado, o montante final pedido na campanha é de R$8.893,08 (R$8.084,62 + 10% = 8.893,08).
Por isso, precisamos arrecadar R$8.893,08 para alimentar a família de 6 pessoas por 3 meses e o pagamento de 10% da taxa.
Sua ajuda pode não mudar o mundo, mas pode mudar o mundo de seis pessoas. O que você doar hoje, vira comida e água na mesa deles essa semana.
Se não puder doar, compartilhar já coloca esta família um passo mais perto da segurança alimentar.
*traduzido do árabe para o português.
Irmãos e irmãs do Brasil. Me chamo Hamza Husam Mahmoud Ahmed, tenho 23 anos e sou da Faixa de Gaza. Quero contar um pouco de minha história e de minha família, mas primeiramente quero lhes contar o quanto gosto do Brasil desde minha adolescência. Sempre procurei e vi muitas fotos e vídeos sobre o Brasil na internet. Eu sei que o Brasil é um país muito grande, que é lindo, possui uma natureza bela e os brasileiros são muito calorosos, carismáticos e receptivos. É um grande país em muitos sentidos. Sonho em morar no Brasil um dia e espero que eu consiga realizar meu sonho. Nasci e cresci em Gaza e nunca saí daqui. Não conheço nenhum outro país que nao seja Gaza, mas se eu puder sair daqui (sonho com isso), peço a Deus que meu destino seja o Brasil, para que eu possa viver entre os brasileiros. Eu entendo português e falo algumas coisas, pois estudei o idioma através de um aplicativo de idiomas durante minha adolescência e início da guerra.
Para mim é uma honra ter brasileiros me ajudando, me desejando coisas boas e torcendo por mim e pela minha família. Serei eternamente grato a todos vocês. Vocês moram em meu coração.
Sobre a minha história e de minha família, nós somos em 6 pessoas: eu, meus pais e meus 3 irmãos mais novos. Hoje vivemos em uma barraca, assim como muitas famílias em Gaza.
Éramos uma família feliz, unida e de trabalhadores. Vivíamos com dignidade, nos sentíamos verdadeiramente seres humanos e dignos perante à vida. Hoje, não temos esperança, pois Gaza está praticamente toda em escombros, em ruínas, e levará muitos anos para ser reconstruída. As universidades foram todas bombardeadas, assim como a maioria das escolas, empresas e comércios. Emprego é algo raro aqui devido às circunstâncias, pois praticamente tudo foi destruído e não há onde trabalhar. Somos uma população de mais de 2 milhões de pessoas en poucos metros quadrados. Por tudo isso, meu sonho é sair de Gaza com meus pais e meus irmãos. Sonho com isso todos os dias, pois aqui não há futuro a curto ou médio prazo. Quero poder trabalhar e continuar meus estudos na minha área, T.I.
Desde o começo da guerra, vivemos dias terríveis. É um trauma que carregaremos para sempre.
No primeiro dia da guerra, nós não entendíamos o que estava acontecendo. Dissemos que seriam apenas alguns dias e que iria passar. Mas os dias se transformaram em um inferno.
Acordávamos com o som de explosões sacudindo as paredes, gritos, poeira, e tudo ficando escuro. Em poucas horas, nossa casa já não era mais segura. Pegamos o que conseguimos carregar, e fomos embora.
Não foi apenas um deslocamento qualquer. Caminhamos sem saber para onde estávamos indo. Cada rua poderia ser a nossa última. Cada som de avião fazia meu coração parar. Eu olhava para o rosto da minha família e tentava parecer forte… enquanto o medo me consumia por dentro.
Mudamos de lugar em lugar. Uma vez para uma escola, depois para a casa de um parente, depois para uma tenda.
Então veio a fome. Longos dias sem comida suficiente. A água era compartilhada entre nós como se fosse um remédio raro. A fome não é apenas uma sensação, é uma dor real que faz você pensar de maneiras que nunca imaginou.
Havia apenas uma maneira de conseguir comida: os caminhões que chegavam da área de Zikim. Milhares de pessoas se amontoando em um só lugar. Todos com fome, todos com medo. Todos só queriam um saco de farinha para salvar seus filhos.
Eu subi nos caminhões mais de uma vez. Eu empurrava, era eempurrao, caía sob os pés. Uma vez eu caí com força, e senti corpos passando por cima de mim. Eu não conseguia ouvir nada além das batidas do meu próprio coração, e alI eu vi cenas que jamais esquecerei.
Vi pessoas sendo mortas diante dos meus olhos, pessoas cujas almas estavam deixando seus corpos ao meu lado. Gritos, sangue, um caos indescritível.
E a parte mais difícil de ttup era que eu não podia fazer nada por elas. Ninguém podia salvar ninguém. Todos estavam apenas tentando se proteger e tentar permanecer vivos por mais um minuto.
Eu vi a morte bem diante de mim tantas vezes. Não nas notícias, mas diante de mim.
E durante esses meses, nós não perdemos apenas nossas casas. Eu perdi tantos parentes e tantos amigos próximos com quem compartilhei os melhores dias da minha vida. Pessoas que enchiam minha vida de risos e esperança se foram. As fotos deles permanecem no meu celular e as memórias no meu coração. A dor da perda que nunca desaparece.
Eu sou engenheiro de T.I e vivia uma vida normal, trabalhando e planejando meu futuro. Nunca imaginei que meu maior sonho se tornaria colocar comida na mesa para minha família.
Então, depois de toda essa dor, recebemos a notícia de que poderíamos voltar para nossas casas. Apesar de tudo, um pequeno lampejo de esperança ainda permanecia em nossos corações. Sonhávamos em encontrar nossa casa intacta ou pelo menos parcialmente danificada. Apenas um cômodo já seria suficiente para nós, uma parede para nos abrigar. Mas quando chegamos não encontramos casa alguma, pois ela estava completamente destruída. Um monte de escombros e memórias. Ficamos diante dela em silêncio, sem palavras, sem lágrimas suficientes.
No fim, tudo o que pudemos fazer foi montar uma tenda em frente à nossa casa destruída e tentar viver, e aqui ainda estamos.
Hoje escrevo para você não por pena, mas porque quero uma chance de recomeçar a vida sem a fome.
Se você está lendo estas palavras, você pode fazer parte da nossa salvação. Seu apoio, por menor que seja, pode significar comida e água limpa para bebermos, e um novo começo para uma família desgastada pela guerra.
Um grande abraço aos meus irmãos e irmãs brasileiros. Fiquem todos com Deus.
Hamza Husam Ahmed.
Gaza, 22 de fevereiro de 2026.










A família Ahmed merece a nossa solidaridade, pois como Hamza escreveu em seu relato, somos um povo acolhedor e solidário.
Vamos ajudar essas 6 pessoas a comprar comida e água limpa para poderem seguir a vida com o mínimo de dignidade que todo ser humano merece.
Abraço fraterno a todos.
Daniel Rocha.