A Vaquinha de Pai Inar

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A Vaquinha de Pai Inar
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Jordanna Malena da Silva e Mendonça
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A Vaquinha de Pai Inar

 

Atenção para uma história muito emocionante. Agradeço, de antemão, a quem puder dedicar um tempinho para ler esse texto até o fim.

 

Há uns meses compartilhei uma publicação no facebook, quando estava à procura de uma pessoa desaparecida, filha de um sábio mestre chamado Inar, que tive privilégio de conhecer em maio deste 2018, numa viagem à Amazônia. Ali, no rio Tapajós, esse sexagenário, dono apenas de uma canoa e de seu espírito livre, me impressionou pela narrativa interessantíssima de suas histórias e por uma habilidade que eu poderia chamar de “clarividência”.

 

Eu tinha planejado passar 3 dias da minha viagem ali, mas, quando me dei conta, já tinham se ido 9 dias na companhia desse caboclo que me declarou seu último desejo na vida: reencontrar os filhos. Isolado do mundo globalizado, sem telefone, sem internet, sem endereço, sem redes sociais, zapzap etc., as últimas informações que ele tinha das “crianças” datavam de mais de 15 anos atrás, quando se falaram rapidamente ao telefone. Mas já eram 30 anos de ausência física (não espiritual).

 

Enquanto eu testemunhava a saudade estampada naqueles olhos castanhos do Pará, uma intuição súbita me bateu e peguei imediatamente meu caderninho de viagem para anotar as informações que o Inar tinha sobre os filhos. E assim comecei a minha busca. Divulguei a publicação no Face, algumas almas solidárias ajudaram a compartilhar, mas até então, nada de respostas...

 

Sabendo da minha pesquisa, meu cunhado me ligou sugerindo que eu fizesse contato com a Ouvidoria do Ministério da Justiça. E assim segui essa orientação e mandei a mensagem para a tal ouvidoria, em junho deste ano (anexo).

 

Semanas depois, meu telefone toca várias vezes, do DDD (061). Depois do meu alô, a primeira coisa que a pessoa me disse foi: “Jordanna, encontramos sua irmã”. Era o detetive, responsável por investigar a ocorrência que eu tinha registrado na ouvidoria. Não sei por que cargas d’água, o moço pensou que eu era irmã da Inajara Trindade, a filha do Inar. Bem, agora senta que lá vem história...

 

Super emocionada com a notícia, esclareci ao detetive que eu não era irmã da Inajara, mas que eu era uma amiga do pai dela, tentando ajudar no reencontro. O investigador pareceu meio inseguro de me repassar as informações, já que eu não era da família, mas diante do meu apelo emocional, ele decidiu me contar o desenrolar dos fatos até ali.

 

A primeira informação que o detetive me repassou foi que, ao constatar que ela não era uma pessoa registrada no cadastro de “desaparecidos”, o procedimento padrão que ele deveria seguir seria encerrar a ocorrência, dando apenas uma resposta ao demandante, informando que ela não estava desaparecida e pronto. Isso representaria o fim das minhas tentativas, pois eu não teria os dados de contato com a Inajara. Mas... ainda existem almas boas no mundo!

 

Bem, Inajara foi descoberta por causa de uma entrevista que ela deu ao programa de TV Profissão Repórter, por ocasião do desabamento, após incêndio, do prédio ocupado por moradores sem teto no centro de São Paulo, dia 1º de maio. Como tantas outras famílias em situação de risco no país, ela declarou na entrevista: “Nós somos apenas pessoas que querem uma casa pra morar. Somos despejados, sem rumo, somos jogados na rua. Porque se a gente não procura um lugar pra ficar, a gente fica na rua, na calçada. A gente é humilhado publicamente com paralização de rua, com polícia. Eu sou uma mãe de família, não sou marginal”. (http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2018/05/mais-de-um-milhao-de-familias-vivem-em-situacao-precaria-em-sao-paulo.html)

 

Ao perceber a situação de vulnerabilidade social de Inajara que, aos 32 anos é mãe de 8 filhos, o detetive se sensibilizou e decidiu, por conta própria, quebrar o protocolo e dar prosseguimento à investigação que foi resumida na resposta oficial que recebi, por e-mail, da ouvidoria (por bom senso, ocultei as informações de cunho particular):

“Resposta

Sra. Jordanna Malena

Com nossos cumprimentos

Em relação a sua manifestação que solicita que ajuda para encontrar uma pessoa desaparecida, foram verificados os dados e a situação da Senhora Inajara Trindade, apresentada desaparecida, e constatado que esta senhora morava no prédio que desabou na cidade de São Paulo-SP esse ano.

No levantamento da localização da Senhora Inajara, com ajuda da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Civil de Tocantins, foram identificados os nomes dos Irmãos e da Genitora dela. De posse dessas informações foi localizado um irmão de nome "Xxxxxxxx Xxxxxxx", na rede social Facebook. Após contato com este irmão, a "desaparecida", Senhora Inajara Trindade, foi localizada, com nick no facebook "Xxxxxxx Xxxxxxxx", segue imagem anexa.

Em conversa com ela, primeiramente pelo Messenger do Facebook, imagem anexa, e posteriormente em ligação, o caso foi explicado. A Senhora Inajara repassou contatos telefônicos e endereço e autorizou repassar para a solicitante da manifestação as informações, que seguem abaixo:

Nome: Inajara Trindade

Telefone(s): xxx- xxxxx-xxxx

Endereço: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.

Perfil no Facebook: "xxxxxxxxxxxxxx".

Com essas informações, encerramos a manifestação no âmbito desta ouvidoria.

Permanecemos à disposição.

Ouvidoria-Geral do Ministério da Justiça”

 

Depois disso, liguei pra ela imediatamente. Muito emocionadas, falamos um pouquinho sobre como eu havia conhecido o Inar e o contexto de como chegamos até ali, naquele momento. Eu chorava em silêncio enquanto Inajara me dizia que, exatamente naquele dia, ela havia perdido o emprego: “hoje eu perdi meu trabalho, mas em compensação eu ganhei o meu pai de presente!”. 

 

Lição aprendida com essa história que mais parece um filme: o universo atende, no seu próprio tempo, ao pedido sincero de um coração. Junto com a descoberta da Inajara, localizamos também o Pachola, o filho mais novo do Inar, que também já é pai de 3 meninas. Ou seja, o Inar descobriria em breve que, além dos 2 filhos, ele ganhou 11 netos!

 

Logo depois que encerrei a ligação telefônica com ela, ainda tremendo, fiz contato com um amigo da comunidade onde o Inar vive, perto de Santarém, na esperança de localizá-lo o quanto antes e entregar a tão sonhada notícia do paradeiro dos filhos. E assim, trocamos as informações dos contatos, eles se falaram ao telefone e, daí em diante, só eles mesmos podem contar de toda sua emoção diante da oportunidade de criar uma nova história para essa família, que ainda nem se conhece pessoalmente.

 

Assim, meus amigos, narrei esses fatos até aqui para tentar ampliar essa rede de solidariedade. Não estamos vivendo momentos prósperos atualmente, mas se dermos as mãos, a vida pode se tornar menos dura, para todos nós. Acredito que cada movimento gratuito que fazemos por amor nos é recompensado pela sabedoria e justiça divina, em algum momento. Essa família merece uma nova oportunidade, se cada um ajudar um pouquinho que seja.

 

A oração do Pai Inar pode ser ouvida agora, por cada um que leu essa mensagem. Existem muitos mais detalhes importantes por trás dessas palavras, mas eu não sou uma boa contadora de histórias. Mas o Inar é. E quando ele reencontrar sua família, poderá dizer, pela própria boca (que guarda seu único dente “espocador de jabuticaba”, como ele comicamente apelidou), tudo aquilo que me cativou e que me trouxe até aqui pra formar essa rede de colaboração, mais conhecida como “vaquinha”.

 

Então, quem sentir no coração o desejo de ajudar nos custos de viagem (de Santarém a São Paulo – ida e volta), alimentação (por 30 dias) e na confecção de uma dentadura nova pro Inar voltar a comer farinha d’água e sorrir feliz na foto em família, será recompensado em gratidão! 

 

Compartilhar essa vaquinha para outros contatos também ajuda bastante!

 

Abraços!

 

 

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