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Meu nome é Isabella, sou do 8o período de medicina da PUC e venho aqui contar um pouco sobre mim e pedir algo que eu nunca imaginei que fosse precisar pedir.
Desde criança eu falava que seria médica. Meu pai tinha epilepsia de difícil controle e eu dizia pra minha irmã mais nova que ela podia ficar tranquila que eu ia curar ele. Não deu tempo porque ele faleceu quando eu tinha 15.
Durante o meu ensino médio, eu entrei em depressão por causa do falecimento do meu pai, somado a uma escola nova e tudo mais. No final do 3o ano, foi a minha avó, mãe do meu pai. Ela já estava doente e foi se afundando quando meu pai faleceu. Ela falava pra mim e pra minha irmã que o que nós receberíamos dela, que seria a parte do meu pai, era pra nossa educação e pra pagar a faculdade.
Com tudo isso acontecendo, eu fui me afundando mais e mais em depressão, tive anorexia nervosa, cheguei a pesar 38kg. Mas sempre tentando estudar pra passar em medicina. Quando eu entrei na PUC, toda a minha família e amigos começaram a falar o quão feliz eu parecia estar. Depois de tanto tempo em uma depressão, eles diziam que meu brilho finalmente estava voltando.
O plano era pegar o financiamento estudantil logo no começo. Mas no 1o período não deu certo e minha mãe disse que tudo bem, a gente conseguia pagar e no próximo tentaríamos de novo. Mas no 2o período eles tiraram o CREDIES. De toda forma, minha família continuava se mexendo e a gente ia pagando os semestres. Quando o CREDIES voltou, um ano e meio depois, eram apenas 3 ou 4 vagas para mil pessoas concorrerem. Eu tentava todos os semestres, mas nunca conseguia. Só agora, graças a Deus, fui aprovada. O problema é que minha mãe me avisou que nós não estávamos pagando esse semestre.
Eu e minha irmã herdamos alguns imóveis que ainda não foram vendidos, precatórios que ainda não foram pagos. Então, pelo menos nesse momento, não temos esse dinheiro disponível. Quando eu entrei na PUC e tentei o CREDIES, com o que a gente tinha de reserva naquele momento, dava tranquilo pra ir acompanhando a faculdade se eu tivesse conseguido o financiamento.
Agora eu estou no 8o período, entrando na reta final do curso, estou com o semestre em aberto e depois de chegar até aqui desistir não é uma opção. Minha família é muito pequena, meus avós tem 90 anos, só minha mãe e minha tia tem renda, minha irmã está pra se formar agora no final do ano. Eu sou uma pessoa quieta, que não é de conversar com todo mundo, mas agora estou aqui. Conversei com amigos, com pessoas próximas e todos me apoiaram quando falei que ia iniciar uma vaquinha mesmo morrendo de medo do julgamento que com certeza vai ter.
Sou extremamente sortuda e grata a todos que estão comigo. Todo mundo que se virou pra me ajudar. Meus fiadores, minha família e amigos. As pessoas que compravam meus doces na faculdade, às pessoas que eu conheci quando estava fazendo taxa em hotel, em café. Às minhas caronas oficias que me salvam todo dia.
Eu sou muito feliz na medicina. Eu estou onde realmente sempre quis estar. Gosto muito de atender as pessoas na UBS, no hospital e ambulatório. Fico realizada quando um paciente diz que foi a melhor consulta que já teve na vida. Quem vive a realidade dos hospitais universitários e do SUS entende esse sentimento. É muito bom poder fazer diferença na vida dessas pessoas.
Então agora eu venho aqui pedir ajuda pra eu regularizar esse semestre. Graças a Deus estou mais tranquila pros próximos agora que consegui o financiamento, então o problema é só agora. Se você puder contribuir com qualquer valor, ou até mesmo compartilhar, já estará me ajudando mais do que imagina. Espero, um dia, poder retribuir toda essa ajuda de alguma forma. Muito obrigada por ouvir a minha história