
E o que vinha sendo tratado como uma sinusite em uma clínica local se revelou um tumor malígno que pressiona a primeira vértebra da coluna. Exames complementares apontaram metástase e tumores apareceram também no fígado, rim, pulmão e ossos. Mesmo diante do quadro gravíssimo, o hospital de Orlando se recusou a iniciar o tratamento e exigiu o pagamento à vista de US$43 mil. Sem dinheiro, Ricardo, que chegou ao país em fevereiro, passou dois meses sem tratamento e graças a doações conseguiu chegar ao Texas em busca de assistência médica no inicio de Julho. Após uma viagem de carro de cinco dias, ele foi internado no MD Anderson Hospital, um centro de referência em tratamento de câncer, em Houston. Lá, Ricardo, que é pai de três filhos, recebeu as cinco sessões de radioterapia na cabeça, essenciais para prepará-lo para combater a doença, mas não pôde dar continuidade ao tratamento por não ter seguro de saúde nem dinheiro para bancar um atendimento privado. No total, as contas hospitalares de Ricardo já passam de US$ 100 mil dólares. Agora, Ricardo está em Dallas, também no Texas, onde se qualificou para um programa de saúde por seis meses, esse programa ele tem que pagar 10% de todo que utilizar se não cancelam o plano. A demora em receber tratamento adequado após o diagnóstico agravou o quadro clínico de Ricardo, que está acompanhado da mulher, Lilian, o tempo todo. O caçula, Kadu de 13 anos, também está ao lado dos pais. Enquanto Rafael, de 20 anos, ficou em Orlando, onde se divide em dois empregos para ajudar com as despesas na família. O filho mais velho, Patrick, é tenente das Forças Armadas dos Estados Unidos e está no Kuwait, onde se prepara para servir o país na Síria, e não conseguiu autorização para visitar o pai. Ricardo, que sempre foi muito ativo e prestativo, precisa muito de ajuda porque ele não pode trabalhar e Lilian se divide entre o hospital e os cuidados com o caçula. Rafael acumula dois trabalhos, mas não consegue sanar as necessidades da família.