
O que a família de duas irmãs de Uberaba, no Triângulo Mineiro, mais quer agora é simples: vê-las novamente em casa.
As duas brasileiras estão em Madagascar, na África, depois de terem viajado ao exterior acreditando que encontrariam oportunidades de trabalho. Segundo familiares e a ONG The Exodus Road Brazil, elas acabaram vítimas de uma rede de exploração e foram obrigadas a aplicar golpes pela internet.
Agora, longe da família e sem os passaportes, elas aguardam uma solução para conseguir retornar ao Brasil.
Para ajudar nesse processo, uma vaquinha de emergência foi criada com a meta de R$ 13 mil, valor destinado principalmente à compra das duas passagens aéreas.
A campanha é organizada por Mayron, amigo do irmão das vítimas, que decidiu mobilizar a arrecadação diante da situação enfrentada pelas duas brasileiras.
As duas irmãs saíram de Uberaba com propostas diferentes de trabalho no exterior.
Uma delas, que é cabeleireira, recebeu uma oferta para trabalhar em um salão de beleza. A outra teria sido convidada para trabalhar como recepcionista.
No início, a família acreditava que a viagem estava transcorrendo normalmente.
O irmão das duas contou que mantinha contato frequente com elas e recebia fotos que pareciam confirmar que estavam bem.
“Nós nos falávamos todos os dias por volta das 23h aqui no Brasil, ela me dizia que lá eram 6h e era o horário que começaria a trabalhar. Então achávamos que estava tudo bem”, relatou.
Com o passar do tempo, porém, começaram a surgir sinais de que havia algo errado.
As irmãs não conseguiam enviar dinheiro para a família e diziam que precisavam quitar uma suposta dívida relacionada à viagem.
A verdade só veio à tona quando uma delas conseguiu entrar em contato com os familiares.
Segundo o relato, as duas estavam sendo mantidas em cativeiro e obrigadas a aplicar golpes virtuais.
Após uma operação policial contra a rede criminosa, os brasileiros foram levados para Madagascar em 19 de agosto.
Segundo a The Exodus Road Brazil, 23 brasileiros estavam entre as pessoas retiradas da situação de exploração.
Depois de serem ouvidos pelas autoridades, eles permaneceram por alguns dias no aeroporto de Madagascar, considerado naquele momento o local mais seguro.
Posteriormente, foram acolhidos por uma organização local, que passou a fornecer alimentação, água e um lugar para dormir.
A situação, porém, continua longe de estar resolvida.
As duas brasileiras permanecem sem os passaportes e precisam de recursos para conseguir iniciar o caminho de volta para casa.
Segundo a família, as autoridades locais só devem providenciar a documentação necessária após a confirmação da compra das passagens.
É justamente nesse ponto que a vaquinha entra.
A campanha foi criada com uma meta de R$ 13 mil.
A maior parte do valor será usada para comprar as duas passagens aéreas, estimadas em R$ 5.500 cada.
Também foram previstos recursos para taxas de documentação e eventuais despesas emergenciais.
| Despesa | Valor estimado |
|---|---|
| Passagem da primeira irmã | R$ 5.500 |
| Passagem da segunda irmã | R$ 5.500 |
| Documentação e emergências | R$ 2.000 |
| Total | R$ 13.000 |
A família afirma não ter condições de arcar sozinha com o custo das viagens.
Enquanto isso, parentes no Brasil também têm ajudado com dinheiro para que as duas consigam se alimentar durante a permanência em Madagascar.
“Cada doação, por menor que seja, é um passo para tirar essas duas irmãs desse pesadelo e trazê-las de volta para a família”, diz a descrição da campanha.
Para o irmão das brasileiras, a preocupação não termina com a libertação da rede criminosa.
As duas ainda estão a milhares de quilômetros de casa, sem os documentos em mãos e dependendo da ajuda de terceiros para alimentação e abrigo.
Além da preocupação com a segurança, existe o impacto emocional de toda a situação.
Segundo o familiar, as irmãs estão com medo e envergonhadas por terem sido enganadas.
A família, por sua vez, tenta encontrar uma forma de reuni-las novamente com os parentes em Uberaba.
A vaquinha foi criada especificamente para custear as passagens das duas irmãs e despesas emergenciais relacionadas ao retorno ao Brasil.
Por questões de segurança, os nomes e as imagens das vítimas não estão sendo divulgados neste momento. Segundo a família e as organizações que acompanham o caso, elas ainda permanecem em uma situação que exige cautela.
Quem puder contribuir pode acessar a vaquinha para ajudar as duas brasileiras a voltar para casa.
Também é possível ajudar compartilhando a campanha para que ela alcance mais pessoas.
Neste momento, para duas famílias que esperam do outro lado do oceano, a distância até Uberaba pode começar a ser medida de uma maneira muito mais simples: duas passagens de volta para casa.