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Dia Mundial do Cachorro: após percorrer cidades do RS, influenciador cria Vakinha recorrente para ajudar cães em situação de abandono

26 ago 2026
6 min
Equipe Vakinha
Vakinha recorrente de Andrei Loan busca ajudar animais em situação de rua
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Andrei Loan relata ter encontrado animais presos em correntes, cães comunitários feridos e abrigos sem estrutura; campanha busca garantir ração, atendimento veterinário e espaços adequados

Quando a água subiu rapidamente durante um temporal no Rio Grande do Sul, Andrei Loan recebeu um pedido de socorro. Uma moradora precisava retirar a família e os animais de casa antes que a região fosse tomada pela enchente.

A equipe conseguiu montar uma evacuação de última hora e levar todos para um local seguro.

Mas, depois que aquela emergência passou, ficou uma pergunta: e os animais que não tinham para onde ir?

Foi a partir de situações como essa que Andrei decidiu ampliar o trabalho que vinha realizando em defesa dos animais no estado e criar uma Vakinha recorrente, voltada para necessidades que não terminam quando uma emergência acaba.

A proposta é garantir recursos para alimentação, atendimento veterinário e estrutura para cães que vivem em condições de abandono ou vulnerabilidade.

Cães presos em correntes e sem o básico

Desde que chegou ao Sul, Andrei conta que passou a visitar diferentes cidades, terrenos, canis, bairros e espaços mantidos por protetores.

Segundo ele, a realidade encontrada revelou um problema que vai muito além de situações pontuais.

cães presos em correntes, sem espaço adequado e, em alguns casos, sem alimentação ou cuidados básicos.

Também existem os chamados cães comunitários, que vivem nas ruas ou em seus arredores e ficam expostos a acidentes e ataques.

Entre os casos acompanhados por Andrei estão animais feridos por ouriços, que precisam de atendimento veterinário para tratar os ferimentos, evitar infecções e controlar a dor.

Ao mesmo tempo, ONGs, protetoras e cuidadoras tentam atender dezenas ou até centenas de animais com recursos limitados.

Para essas pessoas, explica Andrei, a dificuldade não aparece apenas quando acontece uma grande tragédia.

Ela se repete todos os dias.

O desafio continua depois que a emergência passa

Um dos exemplos que motivou a mobilização foi o caso de Bingo, um dos cães comunitários que vivem na região das ilhas.

Durante a elevação do nível da água, uma moradora entrou em contato pedindo ajuda para retirar seus familiares e animais.

A evacuação foi realizada e a família conseguiu chegar a um lugar seguro.

Mas Bingo e outros cães que viviam naquela região continuaram sem um abrigo para onde pudessem ser levados.

“Hoje, eles não têm para onde ir. Não têm abrigo. E ficam entregues à própria sorte.”

Diante da situação, Andrei Loan decidiu continuar voltando ao local para levar o que era possível.

Alimento, cuidado e presença.

“Precisamos muito de ração para continuar alimentando esses animais”, afirma.

Descaso e falta de estrutura agravam situação

Para Andrei Loan, um dos principais problemas observados durante as visitas é a falta de estrutura e de políticas públicas capazes de atender a demanda da causa animal.

O resultado, segundo ele, acaba recaindo sobre ONGs, protetores e cuidadores independentes, que assumem despesas com recursos próprios e dependem de doações.

A alimentação é uma das maiores necessidades.

O preço da ração pesa no orçamento, enquanto o número de animais atendidos continua crescendo. Quando os recursos acabam, protetores podem precisar escolher quais necessidades serão atendidas primeiro.

A situação se repete com os cuidados veterinários.

Castrações, vacinas, tratamentos de ferimentos, cirurgias, internações e medicamentos geram custos que se acumulam ao longo do tempo.

Também há o problema da estrutura física. Abrigos superlotados nem sempre conseguem separar animais machucados dos saudáveis ou oferecer espaço adequado para cães de grande porte e animais considerados mais difíceis de manejar.

Projeto quer trocar correntes por espaços adequados

A nova campanha criada por Andrei pretende transformar parte dessa realidade com uma atuação contínua.

Uma das propostas é a construção de canis mais espaçosos, especialmente para animais que atualmente vivem presos em correntes ou em locais inadequados.

A ideia é oferecer mais espaço e segurança para esses cães, reduzindo situações em que eles permanecem confinados por falta de alternativas.

Outro objetivo é criar um fundo veterinário, destinado a animais que precisem de atendimento urgente.

É o caso de cães feridos, atacados por animais silvestres ou que necessitem de cirurgia, medicação e acompanhamento.

A campanha também pretende formar um fundo de alimentação, permitindo que ONGs, protetoras e cuidadores tenham acesso regular à ração.

Por que a campanha é recorrente?

A escolha por uma Vakinha recorrente tem uma razão simples: as necessidades também são recorrentes.

A ração acaba. Um novo animal precisa de atendimento. Uma ferida precisa ser tratada. Um abrigo precisa de manutenção. Um cão que estava preso precisa de um espaço adequado.

Por isso, a proposta é criar uma rede de pessoas que contribua mês após mês, ajudando a transformar a solidariedade pontual em uma estrutura permanente de apoio.

Segundo Andrei, a intenção é que os recursos permitam acompanhar resultados concretos: animais deixando correntes, feridos recebendo tratamento, abrigos sendo abastecidos e protetores tendo mais condições para continuar o trabalho.

“Vocês não estão sozinhos”

A campanha também carrega uma mensagem para quem já dedica a própria vida à proteção animal.

Ao contribuir mensalmente, a pessoa ajuda não apenas um cachorro específico, mas uma rede formada por ONGs, protetoras e cuidadores que enfrentam diariamente uma demanda que não para de crescer.

A ideia, nas palavras de Andrei, é transmitir a essas pessoas uma mensagem simples:

“Vocês não estão sozinhos.”

A Vakinha busca justamente transformar essa frase em ações concretas: comida chegando aos abrigos, atendimento para animais feridos e espaços mais dignos para aqueles que ainda esperam por uma oportunidade.

Quem não puder contribuir financeiramente também pode ajudar compartilhando a campanha, ampliando o alcance da iniciativa.

Porque, para os animais que continuam esperando por ajuda, a emergência não termina quando a água baixa.

Ela continua no prato vazio, na corrente que aperta e no ferimento que ainda precisa ser tratado.

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