
Série do Vakinha mostra histórias reais de mães que transformaram a dor em presença, força e recomeço
“Eu tenho certeza que precisei ser desacelerada para poder enxergar a minha filha.”
É assim que Renata resume a transformação mais profunda da sua vida. Não apenas a descoberta do câncer da filha, mas tudo o que veio depois dele.
Mãe aos 19 anos, Renata conta que viveu a juventude em ritmo acelerado: trabalho, estudos, responsabilidades e a tentativa constante de construir uma vida melhor. Entre jornadas intensas e rotinas apertadas, o tempo ao lado da filha acabava ficando em segundo plano.
“Foi tudo muito rápido na minha vida”, relembra.
Hoje, ela integra a série especial do Vakinha sobre maternidade e superação, ao lado de outras mulheres que tiveram suas vidas atravessadas pela doença dos filhos — e precisaram se reconstruir junto com eles.
A história de Alice começou a mudar depois de um episódio aparentemente comum.
Enquanto brincava de pega-pega na escola, Alice caiu e machucou a perna esquerda. A família recebeu a notícia de que ela havia quebrado o fêmur e precisaria passar por cirurgia.
No primeiro momento, tudo parecia apenas um acidente.
Mas Renata sentiu que havia algo errado.
“Quando esfriou aquela adrenalina, me deu um estalo. Eu pensei: ‘peraí, tem alguma coisa errada’.”
Mesmo ouvindo que estava exagerando — “mãe está sempre preocupada” — ela insistiu.
Foi então que os exames confirmaram o diagnóstico que mudaria completamente a rotina da família: um sarcoma de Ewing, câncer ósseo agressivo e silencioso.
O impacto do diagnóstico não foi apenas médico. Foi emocional, afetivo e profundamente humano.
Renata conta que percebeu que, apesar de amar a filha, não conseguia viver plenamente a maternidade da forma como gostaria.
“Eu estava extremamente realizada profissionalmente… mas eu não tinha tempo para ela.”
Depois da descoberta da doença, decidiu interromper a própria rotina de trabalho para acompanhar Alice integralmente no tratamento.
“Eu parei as minhas atividades laborais para viver o dia a dia dela.”
Mais do que acompanhar consultas, exames e sessões hospitalares, Renata passou a atravessar emocionalmente cada etapa ao lado da filha.

“Eu costumo dizer que sou oncológica junto com ela. Eu não sinto tudo o que ela sente, mas eu estou junto em tudo.”
Durante o tratamento, a família também precisou lidar com os impactos financeiros da doença. Foi nesse momento que surgiu a possibilidade de criar uma vaquinha online.
Mas pedir ajuda não foi fácil.
“No começo eu ficava muito receosa. Pensava no que as pessoas iam achar.”
Com o tempo, porém, Renata entendeu que precisava deixar o orgulho de lado para priorizar o que realmente importava: a recuperação da filha.
“Ela precisava. E eu ia fazer o possível e o impossível.”
A mobilização acabou se transformando também em acolhimento emocional.
“Eu acredito muito no coletivo. Se a gente não puder estender a mão para o outro, o que estamos fazendo aqui?”
Hoje, Alice está na fase final do tratamento contra o câncer.
E, embora a jornada tenha sido marcada por medo, insegurança e mudanças profundas, Renata diz que saiu dela transformada.
A doença desacelerou sua vida — mas também aproximou mãe e filha de uma maneira que ela nunca havia experimentado antes.
“Tudo aconteceu como deveria acontecer”, afirma.
Em meio às dores e desafios do tratamento oncológico, Renata encontrou algo que antes parecia impossível dentro da correria da rotina: tempo, presença e vínculo.
E é justamente essa reconstrução silenciosa que a série do Vakinha busca mostrar: histórias em que a maternidade deixa de ser apenas cuidado e passa a ser permanência, entrega e amor vivido no detalhe de cada dia.