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Histórias

“Parei de andar”: jovem atingida por galho abre Vakinha para continuar reabilitação

11 set 2026
6 min
Equipe Vakinha
Jovem atingida por galho abre vakinha
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Ana Beatriz, de 22 anos, sofreu uma grave lesão na medula após ser atingida por galho em uma praça de Curitiba. Depois de receber polilaminina, substância ainda experimental no Brasil, ela voltou para casa e começou uma nova etapa do tratamento

Um passeio em família que deveria ser apenas mais um momento comum terminou em uma mudança completa na vida da jovem. Ana Beatriz estava na Praça Osório, em Curitiba, quando foi atingida por um galho que se desprendeu de uma árvore.

O impacto provocou uma grave lesão na medula espinhal, entre as vértebras T5 e T6, além de uma lesão no pulmão. Ana perdeu os movimentos das pernas e passou semanas internada, submetida a cirurgias e diferentes procedimentos.

Hoje, ela está em casa e começou uma nova etapa da jornada: a reabilitação. Para ajudar a custear o tratamento, a família abriu uma Vakinha com meta de R$ 300 mil.

“A hora que falaram da lesão na coluna, eu pensei: parei de andar.”

A frase é de Ana e resume o instante em que ela começou a compreender a dimensão do que havia acontecido.

Um acidente em poucos segundos

Ana Beatriz é fonoaudióloga e mora em São Paulo. Ela estava em Curitiba para visitar familiares quando aconteceu o acidente.

Uma câmera de segurança da Praça Osório registrou o momento em que o galho caiu e a movimentação das pessoas que correram para prestar socorro à jovem.

No primeiro atendimento, Ana foi imobilizada e encaminhada pelo Siate ao Hospital do Trabalhador. A lesão atingiu a região da coluna entre T5 e T6 e comprometeu a medula.

Além da lesão medular, Ana sofreu um trauma no pulmão. Durante a internação, passou por cirurgias de alta complexidade, incluindo procedimentos para tratar o pneumotórax provocado pelo acidente e estabilizar a coluna.

Foram semanas longe de casa e de uma rotina que, até então, fazia parte da vida da jovem.

Em casa, ela ainda tenta assimilar tudo o que aconteceu.

“Eu tentei ficar o mais calma possível, porque eu falei: o acidente já aconteceu, não tem o que fazer.”

Uma possibilidade chamada polilaminina

Durante o tratamento, a equipe médica avaliou que Ana poderia se enquadrar nos critérios para receber a polilaminina, uma substância desenvolvida por pesquisadores brasileiros e que ainda está em fase experimental.

A utilização da substância depende de uma avaliação individual de cada caso e de autorização para uso compassivo. No caso de Ana, a aplicação foi autorizada pela Anvisa.

A polilaminina foi aplicada diretamente na região da medula lesionada.

Segundo a família, a possibilidade de receber o tratamento trouxe uma nova expectativa diante da gravidade da lesão.

A substância ainda está sendo estudada. Em janeiro, a Anvisa autorizou o primeiro estudo formal com pacientes humanos. Segundo a reportagem de TV, até então, 102 pacientes haviam recebido a substância no Brasil.

Ana foi a 16ª paciente a receber a polilaminina no Paraná.

“Agora começa a reabilitação”

Depois de mais de um mês internada, Ana recebeu alta e voltou para casa.

A chegada marcou o início de uma nova fase. Fora do hospital, ela passou a lidar com uma rotina que inclui fisioterapia, acompanhamento multidisciplinar e adaptações para as atividades do dia a dia.

Em uma das primeiras sessões de fisioterapia após a alta, profissionais acompanharam de perto os exercícios e os estímulos realizados por Ana.

“É o começo de uma jornada. Ela é uma menina muito motivada. Isso dá para perceber. E ela quer muito. Isso é muito importante.”

Durante a recuperação, a família relatou sinais que considera positivos. Ana passou a sentir formigamentos e espasmos nas pernas e conseguiu realizar pequenos movimentos com um dos dedos e com o pé ao concentrar os comandos.

A evolução, porém, ainda é um processo em andamento. A fisioterapia tem como objetivos estimular movimentos, preservar a musculatura e acompanhar as respostas apresentadas ao longo do tratamento.

Uma nova rotina

Voltar para casa também significou aprender a lidar com atividades que antes faziam parte da rotina de forma automática.

Ana precisa de acompanhamento para readaptar funções como locomoção, utilização do banheiro, alimentação e mobilidade.

A reabilitação envolve profissionais de diferentes áreas e precisa ser mantida de forma contínua.

“É difícil, mas faz parte do processo. Agora começa uma etapa da reabilitação física ambulatorial.”

Além da fisioterapia, Ana terá acompanhamento psicológico e outras especialidades dentro do planejamento de reabilitação.

A família também precisou adaptar a casa para receber a jovem, com equipamentos como cadeira de rodas, maca e cadeira de banho.

Vakinha busca R$ 300 mil para reabilitação

A nova fase trouxe também uma série de custos para a família.

Segundo a descrição da Vakinha criada para Ana, apenas no primeiro mês em casa, as despesas relacionadas à recuperação chegaram a R$ 15 mil.

A estimativa é de que esse seja, em média, o valor necessário mensalmente para manter a rotina de cuidados e reabilitação. O tratamento com polilaminina também exige uma rotina intensiva, com no mínimo três horas diárias de fisioterapia, segundo a família.

Entre os gastos estão terapias, equipamentos, medicamentos, adaptações e outros cuidados necessários para a recuperação e para a busca por maior independência.

Por isso, a família estabeleceu uma meta de R$ 300 mil na Vakinha.

A campanha busca garantir a continuidade do tratamento em uma etapa que pode ser longa e exigir novos recursos conforme as necessidades de Ana mudem.

“Eu ainda tenho muitos capítulos para escrever”

Ana Beatriz passou a ser chamada de “a menina do galho” depois do acidente que mudou sua vida.

Em meio à nova rotina, ela tenta assimilar tudo o que aconteceu e, ao mesmo tempo, seguir construindo os próximos passos.

A recuperação ainda está em progresso e não é possível saber como será a evolução da jovem. Por enquanto, cada sessão de fisioterapia, cada exercício e cada resposta do corpo fazem parte desse processo.

Ao falar sobre o tratamento, Ana deixou um pedido para quem acompanha sua história:

“Peço que continuem com as orações, com tudo, porque essas pessoas também têm muita esperança, como eu, de que no final de tudo isso, vai dar certo.”

A família criou uma vakinha para ajudar a financiar a continuidade da reabilitação, das terapias, dos equipamentos, medicamentos, adaptações e demais cuidados necessários.

Ela ficou conhecida como “a menina do galho”.

Hoje, Ana olha para frente.

Porque ainda tem muitos capítulos para escrever.

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