
Na noite de 7 de outubro, um incêndio de grandes proporções atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, e destruiu equipamentos, amostras e materiais utilizados em pesquisas científicas desenvolvidas ao longo de anos. O fogo atingiu laboratórios que abrigavam estudos relacionados ao câncer, à Covid-19 e a outras áreas da saúde e da tecnologia. Diante das perdas, uma vaquinha para apoiar a reconstrução e a retomada das atividades na UFPE foi organizada pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação de Pernambuco (APONTI), com meta de R$ 100 mil.
As imagens do incêndio chamaram a atenção do país, mas o impacto vai além da estrutura destruída. Para pesquisadores, professores e estudantes, o fogo também atingiu experimentos, dados e trabalhos acadêmicos que levaram anos para ser desenvolvidos.
Segundo estimativa divulgada pelo reitor Alfredo Gomes, os prejuízos materiais podem chegar a R$ 100 milhões.
O incêndio aconteceu em um prédio que abrigava laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética, vinculado à estrutura da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) da UFPE.
Entre os estudos afetados estavam pesquisas relacionadas ao câncer, à Covid-19, ao autismo e a outras condições de saúde. As atividades envolviam estudantes de graduação e pós-graduação, professores e profissionais dedicados à produção científica.
De acordo com informações divulgadas pela universidade, cerca de 80 dissertações e teses foram impactadas, e os espaços atingidos armazenavam dados de pesquisas acumulados ao longo de aproximadamente 20 anos.
Além dos equipamentos e materiais destruídos, parte do conhecimento produzido dependia de amostras e experimentos que não podem ser simplesmente recuperados com a compra de novos aparelhos.
O incêndio não deixou feridos, mas provocou uma perda significativa para a comunidade acadêmica e para projetos que poderiam contribuir com avanços científicos.
Para quem acompanhou a repercussão do incêndio, as imagens das chamas ajudam a dimensionar a destruição. Para os pesquisadores, porém, há também uma perda que não aparece nas fotografias: o trabalho acumulado ao longo de meses e anos.
Experimentos, registros e materiais utilizados em investigações científicas foram atingidos, comprometendo a continuidade de diferentes projetos.
A recuperação da infraestrutura é um dos desafios. Outro é criar condições para que estudantes, pesquisadores e iniciativas de inovação consigam retomar suas atividades.
Diante desse cenário, a APONTI criou uma campanha de arrecadação para apoiar os afetados pelo incêndio na UFPE, abrindo espaço para que empresas, profissionais e a população participem da mobilização.
A arrecadação foi criada em 8 de outubro por Teco Sodré, por meio de uma iniciativa da APONTI, entidade que representa empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação em Pernambuco.
A meta é reunir R$ 100 mil para contribuir com os esforços de recuperação e apoio à comunidade afetada.
Segundo a descrição da campanha, a associação pretende entrar em contato com responsáveis pelos espaços atingidos, professores, pesquisadores, empreendedores e startups para definir como os recursos poderão ser utilizados.
Um comitê da entidade deverá discutir a destinação das contribuições, com a proposta de priorizar medidas úteis e práticas para quem desenvolvia atividades no local.
A mobilização da sociedade civil acontece paralelamente às medidas de apoio anunciadas por órgãos públicos para a recuperação da universidade. A vaquinha é uma iniciativa organizada pela APONTI, e não deve ser confundida com os recursos governamentais destinados à UFPE.
Embora parte das perdas científicas seja irreversível, a arrecadação representa uma oportunidade de colaborar com os esforços de retomada das atividades.
Quem deseja participar dessa mobilização pode contribuir diretamente pela página da campanha, escolhendo o valor da doação e acompanhando as informações divulgadas pelos organizadores.
A iniciativa também pode receber apoio por meio do compartilhamento da história com amigos, familiares, empresas e pessoas interessadas em ciência, educação e tecnologia.
O incêndio deixou marcas profundas na comunidade acadêmica da UFPE. Agora, além da recuperação dos espaços, existe o desafio de oferecer condições para que pesquisadores, estudantes e empreendedores possam continuar seus trabalhos. Quem deseja participar dessa corrente de solidariedade pode contribuir para a vaquinha de reconstrução da DINE/UFPE e apoiar os esforços de recuperação após o incêndio.