
Foi criada essa vaquinha online porque o Boi Pintadinho Encantado Valdemar Machado de Patrimônio da Penha é mais do que uma manifestação cultural: ele é memória viva, identidade e alegria coletiva da nossa comunidade.
Depois de anos resistindo com esforço voluntário, o Boi precisa de reestruturação para continuar encantando crianças, jovens e adultos, mantendo viva essa tradição tão importante para a vila. O valor de R$ 2.000,00 será destinado à reforma do Boi e dos bonecos, e a estruturação de uma Associação do Boi Pintadinho Encantado para que o Boi volte às ruas com dignidade, segurança e beleza.
Essa vaquinha é um chamado ao cuidado coletivo. Cada contribuição, por menor que seja, ajuda a fortalecer nossa cultura popular e a garantir que o Boi Pintadinho continue dançando, contando histórias e unindo pessoas em Patrimônio da Penha.
Apoiar o Boi é apoiar a nossa própria história. 💛 Então escutem essa historia!
Tragam as lamparinas, acendam as tochas.
E escute essa história que eu vou contar. Lá no alto daquela serra,
no tempo da minha bisavó,
as águas cristalinas corriam
com a intensidade que desata qualquer nó.
Na mata, macacos a guinchar,
ouço miados, mas não são gatos.
Pouco se sabe se são suçuaranas a caçar.
O caminho foi feito na enxada,
tudo à base de muito suor.
O armário tá cheio: tem açúcar, café
e sobra de inhame pra plantar.
Metade do dia na roça,
a outra metade a descansar.
Muito se sabe que não havia televisão,
era só trabalho árduo e nenhuma diversão.
Dentro dessa vila, hoje conhecida,
mas que já foi muito bem escondida,
nasceu, na minha família,
a tradição do Boi Pintadinho Encantado.
Hoje estamos na quarta geração
mantendo esse saber vivo.
Não sei se foi santo ou orixá
que deu a missão a Agnelo Júnior
da histórias do boi encantado cantar .
O boi que morre e ressuscita.
O boi que ensina que nada termina —
Tragam as lamparinas, acendam as tochas hoje vamos iluminar a noite e festejar ate o sol raiar
No cortejo, as mulheres abrem o caminho,
de saia rodada,
Depois vem o boi, cortejando o povo.
Há o momento da parada, da brincadeira,
quando o boi ameaça, provoca, ri, assusta —
e a alegria toma conta.
Tudo é guiado pelo som do triângulo,
da sanfona e do tambor.
É simples, é familiar, é ancestral.
É fé resistente, união
e celebração da vida.
Hoje, o boi morreu —
e está ressuscitando novamente.
Mas para que essa tradição continue viva,
precisamos de apoio para manter o boi,
os instrumentos, os materiais
e o cortejo acontecendo.
Esta vaquinha nasce para que o
Boi Pintadinho Encantado
continue cruzando caminhos,
iluminando noites
e contando histórias
para quem veio antes,
para quem está aqui
e para quem ainda vai chegar.
Se existe um céu bisa está por lá, com seu vestido sobre a calça e seu rolinho preto a pitar. Olhando pelos seus descendentes, que não deixaram de brincar
Qualquer contribuição é um gesto de cuidado
com a cultura, com a memória
e com o encantamento
que resiste no tempo.
Contribua e nos ajude a Celebrar! (Autoria: Ludmila Machado)