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Minha missão: Salvar vidas! Quero ser um médico missionário!!!

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As vezes é fácil contar a história de alguém, pois são contos que não envolvem a nossa vida diretamente, porém quando se trata de nossa vida, não temos como deixar de buscar lembranças do passado e reabrir uma ferida que nunca cicatrizou.  Peço licença a todos e que me permitam contar um pouco da minha vida e dela mostrar que, embora possamos passar por sofrimentos e necessidades, Deus jamais nos deixará desamparados, mesmo que o fardo seja pesado; Ele nunca nos permitirá algo que não possamos suportar!  Nasci de uma família simples, com poucos recursos financeiramente. Mas meu pai, mesmo sendo analfabeto, jamais deixou faltar nada em casa. Sua profissão era pedreiro; já a minha mãe realizava serviços como doméstica nos lares de outras pessoas para poder somar na renda familiar. Somos em três filhos, duas irmãs e eu como caçula da casa. Assim a família Gonçalves caminhava com a vida, como todos os lares caminham (ou deveriam caminhar) com: educação, amor, atenção e projetando sonhos para o futuro da família e dos filhos. Em 1992 foi um ano marcante para a minha vida, pois foi o ano que iniciou a marcar a minha história e a perceber que as coisas ruins também poderiam ocorrem comigo. Nesse mesmo ano (1992) meu pai sofreu um acidente de trabalho em uma construção, aonde ele era o responsável, enquanto o concreto estava sendo preparado, ele foi realizar uma ultima inspeção na laje e suas escoras. Ele analisou um dos beirais que não estava correto e foi consertar. Ao levantar na ponta da laje, após o conserto, ele ficou tonto e veio a cair de uma altura de 5 metros, dando o primeiro impacto no muro, pois havia um corredor no quintal; logo em seguida o impacto foi nos materiais da obra que estava acomodados naquele local, como: pedras, tijolos, ferros, areia e etc. A História é muito grande, mas em resumo foi que o meu pai se tornou, um paralitico, e ficou 3 anos internado. Eu por ser o menor, só podia entrar no hospital nos últimos 10 minutos do tempo de visita, ai a minha presença com o meu pai era apenas 5 min. Aos domingos eram os dias que as crianças poderiam visitar seus parentes, portanto, eu via meu pai somente 5 min por semana e ainda tinha que competir o tempo com os demais da família que também queria conversar com ele. Lembro de algumas vezes não conseguir falar com meu pai por função de muitas pessoas o visitarem naquele dia. Mas algo que me lembro muito era que ele sempre guardava parte do seu lanche da semana para mim. Ele guardava biscoitos, banana, maça... Eu entendia que ele de alguma forma sabia que sua família estava passando necessidades em casa. Guardo na memória essas cenas com muito orgulho de tê-lo como o meu pai, porque eu sabia que ele se preocupava comigo durante toda a semana. Os lanches eram para eu levar pra a escola ou comer durante a amanhã. Durante todo tempo de internação, até onde contei foram mais de 9 cirurgias na coluna e cerca de 20 de escaras, aonde tinham que retirar as partes mortas da pele e fazer enxerto usando tecido retirado normalmente das nádegas, ou de suas coxas. Durante esses 3 anos de internação, meu pai teve a oportunidade de ter alta e ir para casa, ou seja, tentar se recuperar entre a família. Mas, pelo o que os médicos nos afirmaram era que o quadro de invalidez seria irreversível. De fato essa alta hospitalar aconteceu, mas em um momento onde a nossa casa não estava mais com uma estrutura nem para nós, imagine para um paciente que tinha 5 refeições diárias?!! Em contra partida teve várias vezes de ficarmos sem o que comer em casa. No entanto, algo que me lembro de nunca ter faltado foram: água e sal. Por vezes ganhávamos da igreja 1 quilo de fubá velho e com bicho. A peneira era a salvação para separar os bichos do fubá. Em meio a essas dificuldades, meu pai foi vendo e vivendo a realidade que nós estávamos, sem amparo algum até dos parentes e irmãos (meus tios). Em função dessas dificuldades do nosso lá, o estado do meu pai foi se agravando e eu a cada dia me preocupava mais com a vida do meu pai. Já com 9 anos de idade tomei para mim a responsabilidade de cuidar do meu pai em todos os aspectos que vocês possam imaginar. Eu era o único homem da casa naquele momento, pois meu pai era o paciente. Ele não permitia que as minhas irmãs cuidasse dele para não vê-lo nú e etc. Então eu com 9 anos passei a ser um "enfermeiro" dele. Limpava meu pai em suas necessidades fisiológicas durante todo o dia, dava banho em leito, ou o passava para a cadeira para banho geral...  Alimentação e remédios na boca, troca de roupa e lenções ... Exatamente o que qualquer 'home care' faz atualmente ao trabalhar com um paciente nesse quadro, mas eu tinha apenas 9 anos de idade! Eu tive que abandonar os meus estudos aos 9 anos para poder ser o companheiro do meu pai por inteiro. Na minha mente a vida dele era minha responsabilidade. Porém, mesmo com os meus esforços, eu via que o estado do meu pai se agravava dia após dia. Minha mãe trabalhava durante o dia fazendo faxina em casas dos outros para ganhar diárias (quando pagavam) e a noite eu passava para ela todo o acompanhamento dado ao meu pai. Parecia que era uma troca de plantão!  Foi ali, naquele período de cuidados e amor com a saúde do meu pai, que mesmo ainda sendo uma criança, pude sentir o forte desejo de ser um médico. Na minha mente a vontade de ser médico era apenas para ser um ortopedista e que pudesse curar o meu pai. Se assim fosse eu o teria ao meu lado até hoje, pelo menos em uma cadeira de rodas, pois ele nunca se adaptou a ficar em uma cadeira de rodas devido as dores que ele sentia quando se esforçava a ficar sentado; suas dores eram terríveis e os curativos que eu tinha que fazer nas escaras eram de um cheiro ruim demais! Mesmo assim, eu tinha que dizer-lhe o que os seus ouvidos gostariam de ouvir: "Está tudo bem pai! Estão ficando boas!" Peço perdão a Deus por eu não ter sido sincero com o meu pai, pois tudo o que eu queria, era amenizar suas preocupações quanto ao seu estado de saúde e assim dar forças a ele para superar suas limitações. Certo dia algo mudou, meu pai não respondia mais ao estímulos normais, e eu tive que buscar ajuda para leva-lo novamente ao hospital. Lá eu não poderia entrar e sequer me informavam como ele estava. Soube pela minha mãe que ele havia entrado direto para o CTI e sem prazo pra sair. Era proibido visitas! As visitas iniciaram 3 meses após ele sair do coma e mesmo assim eu só poderia ficar com ele apenas 3 minutos com toda roupa hospitalar. O quadro do meu pai foi superando e ainda no CTI ele já poderia receber visitas programadas sendo 1 de cada vez. No entanto, ele esqueceu de todos nós! Após transferência para a enfermaria, ainda levaram 6 meses para que a memória do meu pai voltasse a reconhecer os filhos e parentes. Mesmo no esquecimento de quem eu era, meu pai não parou de guardar alguns de seus lanches da tarde para o seu pequeno menino! Minha avô (mãe do meu pai, na qual atualmente é falecida), sem autorização da minha mãe transferiu o meu pai do Hospital Trauma Ortopedia (perto da Cruz Vermelha - Centro - RJ), para uma casa de recuperação que existia perto do batalhão do Corpo dos Bombeiros de Duque de Caixas. Na época realmente ficava viável para todos esse local por função da distância, passagem e etc, mas ela não teve a sabedoria de relevar uma alta de um Hospital para uma casa de recuperação onde recebiam donativos dos parentes dos internados e das visitas.  Nesse lugar meu pai foi jogado em uma enfermaria junto com outros pacientes, cada um com uma patologia diferente. Ali minhas visitas eram ainda mais rigorosas, eu só poderia entrar nos últimos 5 minutos e até achar o leito, praticamente era só um beijo, um pedido de benção sobre mim e um tchau.  Por muitas vezes os donativos que deixávamos ao lado dele, no qual eram para ele comer, sumiam, ou se estragavam porque ninguém dava para ele. Muitos entregavam donativos na cantina do hospital e os pacientes jamais provavam do que foi entregue. Naquele local a vida do meu pai foi um verdadeiro inferno! Natal de 1995, a casa de recuperação liberou todos os pacientes para passar o natal com seus familiares. Fui buscar meu pai com a ambulância do DICA (atual deputado Estadual), na época era vereador. Ele me conhecia e me dava carta branca nas ambulâncias para ajudar com o meu pai. Aquele natal foi maravilhoso e marcante, pois estávamos novamente todos juntos em família e com o meu pai em casa. Na virada de ano a clinica de recuperação fez o mesmo, dispensaram os pacientes para passar o ano novo com a família. Dessa vez meu pai não veio tão bem, estava febril. O Ano Novo começou, mas para mim nada mudou, pois o quadro do meu pai só piorava e me proibiram de entrar nas visitas. Em uma visita eu consegui entrar sem ser visto e pude assustadoramente ver o quadro de como estava o meu pai! Todo o seu corpo tremia como um epilético, todos os músculos rígidos e sem controle, a face com um olhar de adeus...  Ele olha para mim e com a língua enrolada como uma pessoa que tivesse tido avc, tentava falar e não conseguia formar palavras. Meu pai estava em um quadro de infecção generalizada!!! Meu pai lança a mão sobre a minha e quase que impossível de entender e com dificuldades eu pude ouvir: EU TE AMO! CUIDE DA SUA MAE... Aquela foi a sua última noite de vida e o nosso último aperto de mão! Não foi por essa última frase do meu pai que eu passei a ajudar em casa, não! Antes mesmo dele ser transferido para esse lugar que pra mim era um açougue, eu já trabalhava para ajudar nas contas de casa, no alimento e sendo o caçula passei a ser o homem da casa, onde as minhas irmãs e mãe me viam como se eu  fosse o primogênito e é assim até hoje! Essa página da minha história virou, mas enquanto há vida, há esperança e o sonho de eu me tornar um médico não foi esquecido, apenas postergado sempre, pois eu tinha minha família para ajudar. Com muita dificuldade fiz o meu ensino fundamental, trabalhando de dia e estudando a noite. Com o ensino médio não foi diferente, estudei em São Paulo em uma super escola (IASP), mas pagava com a mão de obra, ou seja, estudava de dia e trabalhava a noite. Nada nessa vida é fácil! Quando retornei para casa, após o IASP, eu passei a estudar e me preparar ainda mais para os vestibulares e sempre pedindo a Deus forças e sabedoria para alcançar o meu sonho. Realizei várias vezes tentativas nos vestibulares e em uma quase passei (bateu na trave). Eu sei que sou capaz de ser um médico, pois Deus me capacita, só não sou ainda devido as necessidades imediatas que eu tinha que ajudei a suprir na família. Mas, esse sonho foi guardado e nunca esquecido. Tentei buscar ajuda de outras pessoas, como: pessoas que foram ajudadas pelo Dr. Milton Afonso, pois encontrei nelas um caminho mais viável até ele. Mas, não consegui até agora! Eu tenho uma carta guardada a mais de 12 anos na esperança de tão somente ser entregue em suas mãos. Carta esta, que entreguei nas mãos de quem recebeu ajuda dele, mas não sei se a minha carta teve a oportunidade de chegar em suas mãos. Agora estou disposto novamente a resgatar uma velha meta, que ficou guardada por um bom tempo, mas nunca esquecida! Nunca é tarde para se sonhar e realizar! Quero me formar Médico e farei isso na Bolívia, por uma série de fatores escolhi lá, como por exemplo: Custo de vida baixo, mensalidades que nem se comparam com as do Brasil, Mesmo conhecimento, reconhecimento do diploma, etc... Eu gosto de pensar que na vida não realizamos nada sozinhos! Por isso estou aqui, acreditando no meu sonho e contando um pouco da minha experiência de vida. Tenho certeza de que se você chegou ao final desse texto, foi porque Deus lhe tocou a me ajudar com o que puder. A minha meta está estipulada, pois um único grão de areia não forma as dunas tão admiradas nas mais belas praias, e sim a junção dos grãos de areia. O que eu quero dizer com isso? Preciso da ajuda de vocês, porque o meu sonho de ser médico não é egotista e sim para ajudar ao próximo! VOCÊ É O MEU PRÓXIMO! Aguardo sua contribuição, obrigado!      

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