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Publicação da obra "Nas pedras nasciam asas”, de Elaine Freitas

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Publicação da obra "Nas pedras nasciam asas”, de Elaine Freitas
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"Retomemos a caminhada. O dia ainda não nasceu, o pão não chegou, a luta não morreu" (Elaine Freitas)

A militante e poetisa negra Elaine Freitas faleceu em 20 de julho de 2016, durante um ato pela liberdade do jovem negro Rafael Braga Vieira, preso desde 2013, vítima de racismo. Elaine se foi, mas deixou conosco um tesouro, ela transformou nossas lutas, dores e esperanças em poesia, alimento para a mobilização e para o espírito. “Nas Pedras Nasciam Asas”, seria seu segundo livro de poemas. O primeiro, “Palavras Armadas”, foi lançado em 2011. “Nas Pedras Nasciam Asas” é instrumento do povo negro para contar a sua própria história. Por isso, nós amigas, amigos e familiares criamos este financiamento coletivo para difundir a obra de Elaine Freitas. É nosso compromisso político-afetivo com toda contribuição de Elaine Freitas para a emancipação do povo. 

Além da impressão do livro, este financiamento coletivo também busca custear a operação de sua mãe, Dona Adenilse, que precisa fazer urgentemente um enxerto na perna.

"Escrever é um ato político. Para nós mulheres negras, escrever e publicar é um ato político” (Conceição Evaristo)

Saiba mais da vida de Elaine Freitas:

Elaine Freitas de Oliveira nasceu em São João de Meriti, Baixada Fluminense, em 17 de setembro de 1982. Cursou Ciências Sociais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi durante a graduação que ela se aproximou dos movimentos sociais e seu compromisso com aquilo que defendia a fez mudar-se para o Morro da Mineira, no Catumbi, onde ela intensificou seu contato com atividades de educação popular, organizando um biblioteca comunitária no Morro. Elaine participou integralmente da construção das ocupações Zumbi dos Palmares e Quilombo das Guerreiras, e esteve no apoio de tantos outros processos (como o das ocupações Chiquinha Gonzaga, Machado de Assis, Guerreiros de 234, Casarão Azul e Flor do Asfalto). Ela circulou em diversos espaços e dialogou com grupos variados, incentivando práticas e ações em defesa da transformação social, tornando-se uma importante referência para militantes de sua geração. Elaine construía pontes. Integrou a Frente de Luta Popular, a Frente Contra o Choque de Ordem, o Coletivo de Estudantes Negros, o grupo Reunindo Retalhos, a Assembléia Popular, a Campanha Contra Alca, o Grupo de Educação Popular do Morro da Providência. Transitou como ninguém em meio a vários movimentos sociais, entre tantas bandeiras que apoiava e levantava. Expressava sua dor, raiva, experiência e inspiração através de intervenções, construções coletivas que tornaram-se, depois e durante, poesias.

Elaine era militante, poetisa, acadêmica, uma filha responsável, uma mulher negra comprometida com a luta de emancipação do seu povo. Elaine faleceu no fim da tarde do dia 20 de julho de 2016, enquanto lutava pela liberdade de Rafael Braga Vieira. Alguns dos seus sonhos já foram transformados em realidade após seu desenlace por seus familiares, amigos e amigas. Um deles era a construção de uma biblioteca comunitária na Favela de Acari, no Centro Cultural Poeta Deley de Acari, onde acontecia o Cachasarau (um dos saraus de sua convivência) e que abriga hoje também a biblioteca Elaine Freitas, para onde todos os seus livros foram levados.

Não há sombra de dúvidas de que a morte de Elaine nos deixou um vazio extremo, mas somos desafiadas e desafiados todos os dias a difundir seu legado.

Elaine Freitas de Oliveira, presente, presente, presente!   

 

 

>>> Pedido Póstumo <<<

Na inadiável hora em que eu morrer, entregue os livros a quem ainda possa ler; queime as caixas de lembrança; cite um verso de esperança:

diga, assim, que eu dormi.

Foi sem querer. Fui, sem doer, e volto, criança. É só uma pausa na andança –

único momento em que me eximi.

Se, todavia, alguém insistir em sofrer, não é preciso se aborrecer: embebede o público com pujança, pois, depois da fúria, sempre vem bonança.

Faça minhas cinzas nutrirem o que eu comi.

A vida (é) roda, faz subir e faz descer, servindo pra seguir e pra moer, e pôs, agora, olhares tristes pelo fim da dança: finitude acinzentando o tempo que, contra nós, avança.

Impôs silêncio aos corpos e lugares que fremi.

Mas, isso é breve; voltaremos a mover: o círculo obriga a renascer – por mais-amor, não por vingança. Um novo fio surge e se entrança.

Cinge, depois cinde à força do lume em que sumi.

--- Elaine Freitas ---

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