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Natal das Famílias Materialmente Carentes

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Natal das Famílias Materialmente Carentes
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Os bairros Nova Cintra e “Cabana do Pai Tomás” circundam o Cemitério da Colina, em Belo Horizonte. O “Cabana” é conhecido como um dos bairros mais violentos da cidade.

O Grupo Espírita Francisco de Assis situa-se em meio aos dois bairros. É um grupo pequeno, formado por poucos voluntários e funciona nas dependências da casa do “Sr. Luiz”, que com seus 96 anos, dá show de vitalidade, sendo um dos mais ativos voluntários. O Grupo foi fundado por ele e por sua esposa, Dona Venância, já falecida.

No início, em 1983, uma das lojas que fica embaixo da residência passou a ser utilizada para fazer e servir sopa nos dias de sexta-feira à comunidade. Em breve tempo, a sopa ficou “famosa”, fazendo da esquina, onde ficam as lojas, uma espécie de posto de socorro para os famintos. A vida do Sr. Luiz nunca mais foi a mesma. Dia-a-dia disposto a ajudar. Nunca recuou. Mesmo vendo falecer a esposa e a cunhada paraplégica e tendo diminuído o contato com os filhos e netos, que se mudaram em virtude do alcance da vida adulta, nada abalou o Sr. Luiz, que continua trabalhando com dedicação em empenho em favor dos materialmente miseráveis.

Curiosamente a busca pela sopa foi diminuindo na proporção em que o tráfico de drogas e a violência na região foram aumentando... Agora a demanda era outra: mães e avós, no afã de conferir alguma dignidade aos filhos e netos, evitando que o tráfico e o crime os cooptassem, passaram a demandar alimentos para suprir as necessidades, permitindo que sua prole pudesse estudar.

O “Francisco de Assis”, então, passou a proporcionar uma vez ao mês, no terceiro domingo, um café da manhã simples, mas reconfortante, onde todos carentes de pão e de amor, confraternizam-se sem os degraus sociais que normalmente os isolam. Como os recursos eram poucos, advindo, principalmente, da chamada “campanha do quilo”, em que os mais abastados se faziam pedintes para os menos, foi estipulado que nove famílias por vez receberiam as cestas básicas. Desde então, cada família recebe a cesta por seis meses, passando, após, a vez a outra família. Cada vez que a família passa a receber a cesta, é convidada para que eleja algo a fazer com o dinheiro que seria gasto com a compra da comida. Foram inúmeros “tanquinhos” comprados por que lavava roupas com as mãos, banheiros construídos por quem antes utilizada o do vizinho, cirurgias reparadoras (sobretudo bucais), ferramentas de trabalho adquiridas, facilitando a vida... Até cavalo para puxar carroça chegou a ser comprado!

Mas o Natal, não é uma época qualquer. Desde o início foi acertado que no Natal, custasse o que custasse, todos receberiam cestas, além de brinquedos novos (já embrulhados, de modo que os filhinhos e netos os abrissem em casa, na noite de Natal). De vez em quando sobrava dinheiro até para alguns mimos, como kits de higiene e perfumaria para os adultos.

E assim sucedeu, no terceiro domingo que antecede o Natal, fazemos um café especial, com bolo de quindim ou pudim de leite, panetone, pão de são e pão doce, com presunto mozzarella e sucos. É uma festa simples, mas cheia de amor e sentimentos de fraternidade. Ela já foi maior, mas muitos voluntários e doadores, aos poucos, se cansaram. Antes emprestávamos uma escola estadual e, lá, lanchávamos para, depois, assistirmos apresentações de coral, teatro e até filmes antes da entrega das cestas. Hoje ficamos apenas com o nosso super café da manhã, com breve palestra sobre a importância do Natal.

Desde o ano passado, os recursos cessaram por completo. O principal provedor perdeu sua condição econômica, e viu-se sem saída. Fez, então, um apelo nas redes sociais. Para sua surpresa, descobriu que há corações bons, que poderiam contribuir com pequenas frações, talvez uma ou duas cestas básicas, mas que não conheciam ninguém que pudesse aplicar eticamente os recursos doados. Uma vez descoberto o mensageiro, sentiram-se muito felizes para colaborar com o pequeno, mas significativo, projeto. Muitas famílias beneficiadas elevarão a estes, mesmo sem conhece-los diretamente, suas preces de gratidão pelo Natal em que poderão se reunir em torno de uma mesa farta, vendo seus filhos e netos com presentes trazidos por verdadeiros papais e mamães noéis. Eles existem! São corações anônimos, sintonizados com o amor, ensino maior de Jesus, o aniversariante. Cumprem, por caridade e sabedoria, uma grande ação: fazer o bem de modo oculto, dignificando quem recebe.

O Grupo Espírita Francisco de Assis fica na Rua Régia, n.º 367, Bairro Nova Cintra, Belo Horizonte.

O atual organizador da tarefa, juntamente com o Sr. Luiz e a Sra. Ana de Castro, é Ronaldo Jung. São distribuídas sessenta cestas básicas, a custo unitário de R$ 60,00. O custo do evento, já computado o das cestas e considerando os brinquedos e o café da manhã, gira em torno de R$ 5.000,00. Após o evento há a prestação de contas, com apresentação das notas fiscais e recibos. O trabalho é 100% voluntário.

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