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Mamoplastia do Arthur

ID da vaquinha: 19786
Mamoplastia do Arthur
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Um pouco da minha trajetória... Sempre me senti assim, meio estranho, diferente dos que costumamos dizer ser normal. Nunca fui "normal". Mas... O que é normal? Não sabemos. Enfim. Quando pequeno, gostava de "coisas de menino". Roupas, sapatos, tudo que fosse direcionado ao masculino, porém, sempre fui podado pelos meus pais "sente como uma menininha", "você é mocinha, não pode se vestir que nem um moleque","menina macho" era o que eu ouvi sempre desde a infância. Cresci ouvindo que gostar (sentir atração) por pessoas do mesmo sexo era erradíssimo e que jamais haveria aceitação por parte de qualquer que seja dos membros da minha família por sua vez muito tradicional e católica na época. Com o passar dos anos, fui "reprimindo" o que eu sentia e na adolescência (16, 17 anos) comecei a tentar tirar isso de mim (veja só). Não adiantou. Após a saída de casa para estudar fora conseguir "aceitar" que isso era normal e que as pessoas teriam que lidar com isso, então, me apresentei como lésbica. Mas... eu sabia que não era só atração por mulheres, tinha algo a mais, mas.. o que era? Eu não me sentia do jeito que as outras meninas relatavam. Não sabia nomear o que sentia. Passei alguns anos sem saber o que era, ate que um dia em um reportagem no facebook, eu descobri a transexualidade. E então, me encaixei. Disse: "É ISSO!" EU SOU TRANS! Era o relato do que eu sentia. Fiquei aliviado... Não havia comentado com ninguém sobre. Ainda morando sozinho (com a minha namorada), fora de casa, não conversava sobre o assunto porque não sabia como contar sobre. Com o tempo fui elaborando as coisas e só no ano passado (setembro, outubro) não me recordo ao certo a data, resolvi expor o que sentia. Primeiro a minha namorada, e depois aos outros próximos (meus amigos). Mas, como lidar com isso? O que pode ser feito? Fui fazer pesquisas e recebi todo apoio e ajuda possível dos meus. Pesquisei sobre o uso dos hormônios, a mudança do nome e do gênero nos documento, tudo, tudo. Tratei logo de escolher um nome ao meu agrado. Varias duvidas, e por fim escolhi Arthur por combinar com meu signo e pelo significado. Mas, o pensamento era: como vou contar isso pra minha mãe? (Meu pai não mora comigo, essa é outra história). Como ela vai reagir ao saber? Com toda certeza ela não vai aceitar! Jamais! Minha mãe é do tipo evangelica, mas não alienada. Mas mesmo assim tradicional. Passado o tempo, ainda não sabia como contar pra minha mãe, estava tudo claro em minha cabeça. O que eu queria, o que eu precisa, tudo. Mas não sabia como contar... Não queria começar o tratamento sem contar nada, até porque, iriam aparecer as características secundarias (barba, voz, pomo de adão). Entrei na Universidade que queria, amém! Um alivio. Comecei a academia, morava numa casa maneira com minha namorada e mais uma pessoa, dividíamos a casa. Tudo estava indo bem... Descobri que poderia buscar ajuda pela universidade para iniciar o tratamento, já que não poderia pagar porque minha mãe controla o dinheiro que recebia e ela não sabia sobre mim. Comecei o tratamento psicológico esse ano pela universidade, tenho 6 meses em tratamento com uma psicologa que me ajuda muito. Tudo estava caminhando bem. Até que... minha mãe resolve largar tudo, TUDO! e vir me "visitar" (minha mãe é enfermeira e trabalhava em uma cidade aqui próxima, porém, tenho a impressão de que ela já sabia e veio me espionar, só acho.). Passou uma semana na minha casa. Então, ela começou a perceber que eu estava desconfortável com a presença dela ali. As meninas me chamavam de ela e isso me doía muito e a elas também. E confundia as vezes e me chamavam de ele. Minha mãe foi percebendo. Até que um dia, ela me chamou pra conversar e perguntou o que estava acontecendo. Conversei com ela sobre, dei mil voltas mas consegui contar. Ela disse que não aceitaria, mas que me ajudaria com o tratamento. Fiquei feliz! Muito! Mas sabia do humor bipolar da minha mãe. Passados alguns dias, ela havia ido visitar a minha e vó e após alguns dias, retornou a minha casa. Ela começou a dar indiretas e assim foi. Brigamos por motivos que não vale a pena ressaltar... e briga feia. Ela simplesmente me disse um monte de coisa, coisas do tipo "tenho vergonha de você" "você não vai ser nada porque gente que nem você não é aceita em lugar algum", coisas leves assim. Queria me tirar da faculdade a priori. Depois queria me tirar da casa em que eu morava pra morar com ela. Depois que ela viu que eu não iria, ela disse que não pagaria mais nada e que era pra eu me virar, ou seja, eu não teria como pagar minhas contas primarias (aluguel, luz, agua e afins) coisas que eram necessárias para me manter aqui na universidade. Chorei por vários dias, pensei em me matar, não fiz isso porque pensei na pessoa que mais me apoia na vida, minha ex namorada/amiga. Ouvi minha mãe dizer que não queria mais saber nada sobre mim, nada. Que ela ia cuidar da vida dela e eu da minha, falou que eu havia feito uma escolha. Então, pensamos em uma solução. Pensei: - Vou ter que me virar se quiser realizar meus sonhos. Com ajuda de outros, consegui uma vaga emergencial na residencia da universidade onde resido atualmente, não recebo nada ainda pois ainda não concorri a bolsa. Recebo ajuda da minha ex namora que mora comigo também e minha mãe resolveu me dar mensalmente uma quantia que não da pra nada, nem a mais nem a menos do que ela acha ser necessária. Então, conversando com um amigo, ele me deu a ideia de fazer a vaquinha para a mastectomia masculinizadora que é algo que eu quero muito, até porque os meus "intrusos" são grandes e o binder (colete usado para comprimir os seios) me machuca muito. Aqui estou eu... Enfim, essa é um pouco da minha história. Já fui encaminhado ao endocrinologista pela universidade, fiz os exames, porém estamos em greve e o serviço medico universitário está parado, estou no aguarde para começar o uso da testosterona e começar a ver o meu eu brotar . :D Obrigado pela paciência em ler tudo. Conto com a ajuda de vocês!
Encerrada
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