LANÇAMENTO DO PRIMEIRO LIVRO

ID da vaquinha: 47404
LANÇAMENTO DO PRIMEIRO LIVRO
Você não possui corações!
Clique aqui para comprar.
0 coração recebido
COMPARTILHE ESTA VAQUINHA
URL copiada!
0%
Arrecadado
R$ 0,00
de
Meta
R$ 3.000,00
Apoiadores
0
  • Sobre
  • Novidades
  • Quem ajudou
  • Corações Recebidos
  • Mensagens

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, locais ou fatos reais é mera coincidência. As opiniões aqui expressas não representam a realidade do autor ou de qualquer pessoa envolvida no trabalho, foram criadas apenas para caracterizar personagens fictícios.

 

 

 

 

 

 

                        PRÓLOGO

 

 

 Já pararam para pensar em tudo o que acontece ao mesmo tempo no mundo? Enquanto em um lugar uma pessoa morre, noutro, no mesmo segundo, nasce outra pessoa. Num lugar tem enchentes destruindo casas, noutro, a seca assola uma região inteira. Tantas diferenças no mundo todo, tantas coincidências no planeta, imagine na vida de uma pessoa. Cris tem a vida marcada pelo mês de novembro, o mesmo mês que deu alegrias também trouxe tristezas em sua vida. Assim como um vinho é marcado pelo seu sabor, ou um café tem sua marca, com tons frutados, ou notas de chocolate, assim a vida de Cris é marcada pelo mês de novembro. Notas de Novembro traz a história de alguém que conheceu os amores e dissabores da vida, sem jamais perder a confiança de que algo bom ainda poderia acontecer em sua vida. Depois de uma perda insuperável, acabou conhecendo outras alegrias, como o reencontro, e um novo amor. Espero que tenham uma boa leitura.

**************TRECHO DO CAPITULO DOIS.De volta a casa, antes de entrar no portão, Carol virou-se para Cris, encarou-o no fundo dos olhos. Cris aproximou-se, pôs a mão no rosto de Carol e a beijou pela primeira vez. Um beijo longo, mas lento, calmo, sem afobação. Um beijo que prometia mais do que alguns momentos, jurava uma vida inteira. Depois do beijo, se olharam novamente nos olhos, ambos tentando ao máximo segurar dentro de si uma frase que, havia tempos, não falavam nem escutavam. Tiveram que ter muita força de vontade para não falar, já naquele dia, ‘eu te amo’. Tinham medo do que pudesse significar, um tinha medo de assustar o outro. Preferiram esperar. “Calma! Mais tarde”, pensaram. Embora a vontade fosse de se abraçar e se entregar um ao outro, num beijo sem fim, e sentir seus corpos juntos, se unindo, e gritar ‘eu te amo!’.

            _Boa noite. – ele, querendo ficar.

            _Boa noite. – ela, querendo que ficasse.

Ele montou em sua moto e saiu para sonhar a noite inteira. Digo sonhar, mas sonhar acordado. Cada um em um lado da cidade. Nenhum com sono, nem sinal de conseguir dormir. Trocaram mensagens de celular quase até amanhecer.

Assim passavam todos os dias, trocando mensagens durante o dia e encontrando-se todas as noites. Geralmente era Cris quem jantava na casa de Carol, elogiando as especialidades de dona Margo, e conquistando a sogra. Mostrava-se sempre respeitador na presença da mãe de Carol, sempre tinha um sorriso de simpatia, e nunca falava em voz alta demais.

            No fim de semana em seguida combinaram de ir a um parque de diversões, que havia se instalado na cidade. Cris não era muito atraído por esses lugares, mas Carol queria ‘arriscar a vida’, como Cris dizia, em alguns brinquedos. Ele detestava alturas, jamais andara em montanha russa, e apenas uma vez na infância teve uma experiência traumatizante numa roda gigante. Andava com uma prima, num parque pequeno, a roda não era muito alta, mas para quem tinha apenas dez anos de idade, aquilo parecia subir acima das nuvens. Na primeira volta, enquanto subia, foi sentindo seu coração gelar, parecia que batia embaixo da língua, mas não teve tempo de se acostumar com o sobe e desce, geralmente na descida as pessoas se acalmam e nas outras voltas já se acostumam com a subida e a altura no topo. Mas o maquinista parou a roda antes de descer, para que outras pessoas entrassem, Cris e a prima ficaram parados no alto, a cadeira ficou balançando, essa ação inesperada, e esse movimento da cadeira deu a ele a impressão de que iriam despencar do alto da roda gigante. Entrou em pânico, agarrando-se ao ferro que os prendia no assento tentando olhar para baixo a procura dos pais, a prima o puxou de volta e o abraçou tentando acalma-lo, mas o banco não parava de balançar e cada vez mais parecia querer cair tudo de lá. Quando a roda voltou a girar e descer, a prima gritou para o maquinista parar, pois o menino estava quase em estado de choque. Desde aquele dia nunca mais subiu em algo que fosse mais alto que ele, com seus 1,82m.

            Mas naquela noite, sentia que não escaparia do destino cruel que o aguardava. Mas estava decidido a fazer de tudo para dissuadir a namorada de andar em qualquer brinquedo. Começaram pela tenda de tiro ao alvo, onde ninguém jamais ganhava os prêmios mais altos, pois as latinhas eram presas na tabua por algum fio ou arame, elas balançavam mas nunca caíam, todos sabiam disso, portanto nunca tinha fila nessas tendas, e quem ia apenas atirava nas de prêmios menores. Brincaram nos auto-shock, aqueles carros bate-volta, cada um dirigindo o seu. Finalmente chegaram ao terror de Cris, Carol correu na frente e parou na fila do Kamikaze. Pronto! Estava estragada a diversão dele, seu sorriso de desfez pressentindo a própria morte.

            _Anda logo! – disse rindo e dando um pulinho – vem, vamos nesse agora!

            _Desculpe, Carol, mas eu estou com dor de cabeça... começou agora, se ficar de cabeça para baixo vou piorar!

            _Nada, está com medinho? Tem dor de cabeça nenhuma. Anda antes que feche!

            _Serio, não posso mesmo.

            _Está com medo! – dizia rindo para as amigas – Medroso, medroso. – entoaram em coro!

Lucas pousou a mão em seu ombro e provocou mais:

            _As meninas trocam suas fraldas depois! – ria.

Não teve saída, como iria dizer que elas estavam certas? Que tinha medo? Passaria a maior vergonha da vida na frente da amada. “Tudo bem, - pensou – serei o mártir do Kamikaze, quando eu cair de lá e morrer, todos vão chorar minha morte gloriosa. Darei a vida para salvar outros de entrar nessa coisa, isso será banido dos parques de todo o mundo!”

            Sem direito a defesa, embarcou ‘naquilo’, foi amarrado por um cinto que achou muito frouxo, certamente escorregaria pelo cinto e despencaria, depois puxaram um arco de ferro por cima de ambos, dele e de Carol, por fim fecharam uma grade de tela grossa que cobria todo o carro, aquilo sim, foi o que ele achou mais útil numa queda.

            A porcaria começou a mover-se, para frente e para trás, cada vez mais rápido, e com mais força, e mais alto. Fazia um movimento de pendulo, com uma das extremidades presa a uma torre. Havia um pendulo de cada lado da torre, o que o assemelhava a um relógio, e era esse movimento que a máquina faria. Quando ia para trás, Cris sentia que seu coração saía pela boca, e se agarrava nas artérias para tentar voltar para dentro dele, quando ia para frente o coração fazia o caminho ao contrário. Carol ria alto e gritava animada, até que o brinquedo atingiu o ápice, parando de cabeça para baixo no alto da torre. Cris sentiu que só o que os livrava de uma queda livre era o arco de ferro na sua barriga. Carol gritava mais alto, em êxtase, adorando aquilo tudo. Cris cerrou os dentes e fez o possível para não gritar em pânico, foram dois ou três segundos que pareceram dias para ele. Finalmente o pendulo retrocedeu e começou a fazer o movimento de vai e vem, agora ao contrário, cada vez mais lento até parar por completo. “Graças a Deus!”. Foram os dez minutos mais longos de sua vida.

            Quando pôs os pés em chão firme, Carol ria e abraçava ele, que fazia o possível para mostrar um sorriso falso de quem adorou.

            _Eu disse seria ótimo, não disse?

            _Eu sei, sempre gostei desse brinquedo. – mentiu.

            _E a dor de cabeça? – fingira que acreditara.

            _Ah, passou! Foi bom ter subido ali. – mentindo de novo, agora sim que a dor havia começado.

 *************TRECHO DA FASE DOIS, CAPITULO 1 Cris saboreava sua long neck montado em sua Harley, com um dos pés no chão e o outro na pedaleira do freio. Notou que a loirinha do chopp saiu e acendeu um cigarro, ficou escorada de costas no muro, perto do pequeno portão de ferro que dava para o interior do restaurante. Ele sentiu que estava sendo observado. Não demorou nem 30 segundos para que ela viesse até ele.

            _Oi. - tímida

            _Oi. – desinteressado.

            _Bonita sua moto. É uma Harley?

Cris olhou para o enorme decalque no tanque da moto onde se lia em letras garrafais o símbolo ‘HARLEY DAVIDSON’. Sorriu.

            _é, uma fat boy 2003, 900cc, modificada.

            _bonita essa cor, preta e cinza...

Cris olhou para a moça, mas não ligou para o erro dela, ela não deveria mesmo saber a diferença, afinal. Apenas a corrigiu.

            _Não é cinza, é cromado. – sorriu com simpatia. – e não é preta, é um tom de azul escuro metálico.

            _Só tem um banco?

            _Sim, mas pode ser colocado outro aqui na parte de trás, em cima do para-lama. Mas eu nunca o coloco, viajamos sempre sozinhos, eu e o Lucas.

Vendo que não estava conseguindo chamar a atenção dele, e não sabendo mais que assunto puxar, ela terminou seu cigarro e resolveu voltar para as amigas.

            _Legal, bom, vou voltar, as meninas devem estar sentindo minha falta. Foi um prazer conhece-lo.

            _Igualmente.

Ela já se dirigia para a porta quando ele chamou.

            _Thais.

Ela virou-se num susto – ele sabe meu nome! – só então lembrou-se de tê-lo visto uma ou duas vezes na choperia onde trabalhava.

            _Me consegue um cigarro? Esqueci o meu no Café e aqui não tem pra vender...

            _Claro! – apressou-se em buscar o maço no meio dos mais ou menos quinze quilos de badulaques dentro da bolsa.

            _Obrigado. – sorriu.

            _De nada. – aliviada, finalmente ele sorriu, os olhos dele são lindos quando sorri. Retornou para o interior da Creperie. Ingridy notou seu leve sorriso e um brilho nos olhos quando entrou. ‘essa não’ – pensou – ‘tomara que não se dê mal de novo’ – temia pela amiga.

***********TRECHO DA FASE DOIS, CAPITULO QUATRO Thais sorriu e beijou-o.

            _Eu... acho que amo você. – disse ele num tom meigo.

            _Eu sei que te amo! – disse ela. – o jantar de natal é depois de amanhã. Posso dizer a minha mãe que você vai estar lá?

            _Claro que sim.

            Ele saiu pela porta da casa, para pegar a moto no estacionamento. Thais fez questão de sair depois pela porta lateral, que dava para a livraria, passou por Stephany com um sorriso largo, deixando-a boquiaberta.

            _Bom dia Stephany.

            Horas depois, Cris conversava com o detetive Wilson, numa sala da delegacia.

            _Estamos fechando o cerco nas investigações. Descobrimos mais uma pessoa envolvida, uma enfermeira do Misericórdia. Elas estão em prisão preventiva.

            _Alguma delas deu o paradeiro da família que levou meu filho?

            _Nenhuma delas conhece o casal. A enfermeira contou em seu depoimento que naquele dia, havia um casal na maternidade que tinha perdido o filho, e que o homem havia oferecido muito dinheiro se ela realizasse a troca dos bebês, então a faxineira telefonou para ela, pois eram amigas havia um tempo, então a enfermeira fez a proposta a outra. A faxineira usou das facilidades de acesso ao incubatório, retirou seu filho, saiu do Clinicas e pegou um taxi. No Misericórdia, com ajuda da enfermeira, trocou os meninos, voltou ao Clinicas e colocou o menino morto na incubadora. Incrivelmente ninguém percebeu nada, pelo menos não acusaram mais ninguém de participar do crime.

            _Mas se ela trabalhava no Misericórdia, deve saber o nome de quem estava internado lá.

            _Ela disse que não era encarregada da maternidade, por isso não teve acesso aos nomes, contou ainda, que o homem a encontrou na área externa, reservada para fumantes. Descobrimos isso tudo ontem, agora eu tenho um homem no Misericórdia, analisando todos os documentos de internos da época. Será rápido, prometo, não vai ser muito difícil, pois aquele casal foi o único que teve meninos no dia, todos os outros partos foram meninas, segundo a enfermeira.

            Aquela notícia deixou Cris muito feliz, estava ansioso por contar tudo a Thais, havia poucos meses não entenderia porque contar a ela, mas agora sabia que era por gostar dela, a amava de verdade, pensava mesmo em casar-se com ela. Encontraria seu filho e a pediria em casamento, certamente seria uma mãe amorosa com seu filho, dedicada e carinhosa, ela era a mulher perfeita. E futuramente, claro, por que não dar a ela seu próprio filho? Não aguentava a ansiedade, telefonou para Thais.

            _Oi, querida.

            _Oi, amor, - ficou feliz ao ouvir sua voz – ligando fora de hora?

            _Preciso falar com você, vai vir na minha casa hoje, não é?

            _Querido, há dias que vou na sua casa, claro que irei hoje. Parece feliz, boas notícias?

            _Ótimas, quero te contar tudo a noite, posso busca-la de moto?

            _Não, irei de taxi. Você disse que eu poderia levar algumas roupas? Tenho uma sacola cheia.

            _Ótimo, claro, traga-as para minha casa. Nos vemos a noite, ok? Beijos.

            _Beijo, gato. Te amo.

            _Também amo você.

AVISO LEGAL: O texto e as imagens incluídos nessa página são de única e exclusiva responsabilidade do criador da vaquinha e não representam a opinião ou endosso da plataforma Vakinha.