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Douglas França

ID da vaquinha: 239754
Douglas França
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RELATO DO OCORRIDO:

 

"Ontem tive minha casa roubada pela primeira vez. É estranho o sentimento no momento, pois mesmo parecendo tão obvio, parece que o cérebro demora uns dez minutos para processar o que realmente aconteceu. Eu estava em um dia feliz, apesar dos mil afazeres pessoais,trabalho e de faculdade, resolvi tirar uns 40 minutos para ir na barbearia que abriu perto de casa, cortar o cabelo e aparar o cavanhaque. Moro em um agrupamento de oito kitinetes e ao chegar, senti uma movimentação estranha dos moradores. Não liguei, meu namorado tinha pedido uma foto de como tinha ficado meu cabelo, tirei e enviei pra ele ver. Após isso, fui diretamente para a porta da minha casa e percebi que estava só encostada. De imediato pensei: "Gente, será que saí com tanta pressa que larguei a porta aberta?!", nem reparando nos visíveis sinais de arrombamento. Ao entrar, apesar de todas as mudanças visíveis à minha volta, só percebi o olhar assustado dos meus gatos. Quando chego, ele sempre vem até mim, roçam em minhas pernas e miam devagar, quando não estou correndo, até os pego no colo. Não desta vez, estava ariscos e se esconderam imediatamente quando cheguei. O momento seguinte foi a percepção do que aconteceu. A kitinete estava uma zona, conseguia ver o suporte de um lugar onde tinha televisão, cafeteira sumiu, todas as coisas do armário jogadas, copos quebrados, talheres e vasilhas no chão, meu quarto estava todo revirado, desde o guarda-roupas a pequenas caixas que poderiam esconder dinheiro. Meus livros bagunçados, o armário do banheiro aberto e produtos de limpeza no chão. O momento inicial foi de desespero, eles haviam levado todas os eletrônicos "mais valiosos" e "fáceis de vender", da televisão à máquina de barbear. Os períodos seguintes voaram, avisei as pessoas mais próximas, fui ao chaveiro para arrumar a porta, liguei pra polícia, pra imobiliária, e tratei tudo numa espécie de transe, tinha que correr, afinal tinha uma prova no mesmo dia. No fim do dia, sentei na minha cama e fiquei olhando toda aquela bagunça. Passou pela minha cabeça que a pessoa que fizera aquilo comigo, precisava fazer, que talvez fosse uma boa pessoa, mas precisava roubar para sobreviver, ou para "alimentar as crianças". Mas logo me dei conta de que estava errado. Pessoas boas não fariam as coisas daquele jeito, não lançariam meus utensílios que eles sequer tinham intenção de roubar no chão, apenas para estragá-los, não pegariam meu copo do Habibs, que basta comprar um refrigerante para ganhar, mas que um amigo trouxe pra mim por ter a imagem do David Bowie (meu ídolo), e lançaria no banheiro. Não danificaria meus livros, não bagunçaria todas as minhas roupas. Pessoas que realmente precisavam fazer aquilo, pegariam o necessário e talvez até algum alimento na geladeira ou no armário para levar para os filhos. Pessoas que precisam, não são tão cruéis. No momento estou sentindo um misto de raiva, tristeza e frustração. Não sou uma pessoa religiosa e nem tão pouco espiritual, porém acredito realmente de quem fez isso comigo e com outros moradores daqui um dia terão o que merecem. Me apego em uma frase que ouvi ontem, que foi provada por todas as mensagens aconchegantes que recebi da minha família e amigos: "NINGUÉM PODE ROUBAR MINHAS EXPERIÊNCIAS DE VIDA, MINHA INTELIGÊNCIA, MEUS AMIGOS, MINHA FAMÍLIA E MINHA ALEGRIA". Isso com certeza já me fez superar momentos muito mais difíceis. Então mais uma vez, obrigado por todo o apoio e desculpem o desabafo."

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