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Ajude o proximo. Tem muitas pessoas que não tem o que comer

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Fazer caridade não é simplesmente assinar um cheque e entregá-lo a uma entidade beneficente. Para que seu ato seja eficaz, é preciso participar.

Por Dalen Jacomino

Seriam os brasileiros pessoas generosas? A se fiar nas estatísticas disponíveis, nem tanto. Cada brasileiro que paga imposto de renda desembolsa, em média, 23 reais por ano em doações. Nos Estados Unidos, são gastos 780 reais (400 dólares) com esse mesmo objetivo.

Essa diferença tem algumas explicações. A primeira delas, óbvia, é que os brasileiros, em média, têm menos dinheiro que os americanos. A segunda é mais complicada: não faz parte da cultura nacional levar a sério contribuições para obras ou entidades meritórias. Enquanto os americanos são conhecidos por sua tradição em fazer filantropia, os brasileiros ainda estão no pré-primário desta escola. Podem dar, e dão, uma esmola aqui e ali para o mendigo que estende a mão, mas em geral, têm pouco interesse em ações consistentes de ajuda ao próximo.

O resultado é que há uma distância longa entre a maioria das instituições beneficentes e seus colaboradores potenciais, sejam empresas ou pessoas físicas. A falta de transparência na administração das entidades, a pouca divulgação dos resultados dos projetos e a escassez de orientações sobre como fazer a doação de forma eficiente atrapalham ainda mais essa situação.

Dados apresentados pela CPM - Centro de Pesquisa Motivacional, revelam, por exemplo, que 54% dos jovens brasileiros querem ser voluntários mas não sabem como começar. Os motivos são diversos. Em geral, as pessoas fazem doações ou contribuições por pressão do grupo, culpa, obrigação ou por prazer. Seja qual for o seu motivo, é preciso encarar o ato de caridade como um negócio, que envolve pesquisas prévias, definição de metas e acompanhamento dos resultados. Mas, fique atento.

 

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Nesse caso, o que se mede não são os resultados financeiros, mas sim, os benefícios efetivos que poderão ser alcançados com o auxílio de sua contribuição. "É preciso mais racionalidade e menos emoção na hora de se fazer uma doação", afirma Léo Voigt, vice-presidente do Gife - Grupo de Instituições, Fundações e Empresas - que reúne mais de 40 entidades filantrópicas brasileiras. "É muito fácil errar na área social".

Prova disso é que o chamado Terceiro Setor, o social tende a se profissionalizar cada vez mais. A Harvard Business School, nos Estados Unidos, tem especializações voltadas para as questões sociais. A Fundação Getúlio Vargas possui uma cadeira específica sobre o assunto, que orienta a administração de trabalhos voltados para a comunidade. A Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, USP, e a Pontifícia Universidade Católica, PUC, também contam com núcleos de estudos sobre o assunto.

Para ajudá-lo a não errar na hora de doar, VOCÊ S.A. ouviu especialistas do mercado e preparou o roteiro a seguir. Veja os 11 itens mais importantes a serem considerados para que você não jogue seu dinheiro fora e realmente ajude quem precisa.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1) Aprenda com os erros dos outros

Se você não tem experiência no assunto, vá com calma. Afinal, ninguém quer ver seu dinheiro escorrer pelo ralo. Primeiro, aproxime-se de quem já está habituado a fazer doações, como amigos, vizinhos ou representantes da comunidade. Aprenda como essas pessoas executam as contribuições. Tire suas dúvidas, peça dicas, questione, discuta vantagens e desvantagens, "Esse primeiro contato é muito importante, porque, com ele, você poderá evitar enganos que já foram cometidos pelos outros", afirma Léo Voigt, do Gife.

2) Defina a área que mais precisa de sua ajudaVocê já pensou em ajudar crianças e adolescentes carentes? Ou, então, em contribuir com projetos de recuperação do meio ambiente? Que tal bancar parte do tratamento de doentes de câncer? Todas essas áreas precisam muito de ajuda, mas você deve escolher uma. Essa decisão é resultado de sua própria reflexão. Se optar por mais de uma área, tenha cuidado para não se perder em meio a vários projetos e objetivos diferentes.

3) Em que região deve estar localizada a entidade beneficiada?O próximo passo é a escolha da área geográfica. Muitas pessoas preferem estar bem próximas das entidades que ajudam: a creche do bairro ou a entidade que abriga deficientes físicos da própria cidade. Nesse caso, há uma vantagem. Você poderá verificar no dia-a-dia, como suas contribuições serão aplicadas. Outras pessoas acreditam que projetos em outros estados, como as famílias atingidas pela seca no Nordeste ou a destruição da Floresta Amazônica, são mais importantes. Entidades locais ou não, a escolha é sua.

4) Monte uma lista das entidades candidatas à doaçãoEsta etapa é a mais trabalhosa. Apesar de já ter em mente o perfil da instituição que pretende apoiar, é preciso definir uma. Para isso, comece com um levantamento de todas as entidades que se enquadram nas características traçadas anteriormente. Se você não tem idéia, visite o site www.filantropia.org ou consulte as registradas nos conselhos Municipal e Estadual. Estes últimos são órgãos, compostos por representantes do governo e pela população, que acompanham e auxiliam o trabalho de algumas entidades beneficentes.

Normalmente, eles têm um material amplo sobre as instituições e suas atividades. No caso de crianças, há o Conselho da Criança e do Adolescente, que poderá oferecer informações. As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais podem ser uma referência para quem pretende ajudar esse grupo.

O Gife também conta com uma página na Internet (www.gife.org.br) que reúne institutos, fundações e empresas que têm projetos em filantropia. Há uma ficha sobre cada uma delas disponível no site. 

5) A visita às instituições pode ser fundamental para uma decisão corretaDepois da pesquisa, escolha duas ou três instituições que mais se adequam aos seus critérios e faça uma visita. "É muito eficaz verificar pessoalmente (olho no olho) como funciona a instituição e qual o estado de suas instalações", afirma Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos e do Conselho de Administração da Fundação Abrinq. Descubra qual é a essência do trabalho desenvolvido. Por exemplo, numa creche, os dirigentes não devem apenas dizer quantas crianças abrigam, mas como o fazem, quais os projetos para incrementar as atividades ou as metas para ampliação do prédio onde está localizada. "O objetivo de uma instituição não lucrativa é melhorar a qualidade do seu serviço a cada dia", afirma Allison Fine, diretora executiva da Innovation Network, uma consultoria de entidades beneficentes de Washington, Estados Unidos.Peça também uma lista das pessoas que estão na linha de frente da entidade. Conheça melhor suas idéias e seus valores. Quanto mais você mantiver contato com essas pessoas, menos surpresas desagradáveis terá. Não tenha vergonha de pedir informações sobre as finanças da entidade. Pergunte se as contas são controladas por alguma auditoria periódica. Peça para dar uma olhada nos balanços. Se o trabalho for sério, a direção da entidade não terá problema algum em apresentar esses dados.

6) Desenvolva um trabalho em conjunto com a entidadeDefinido o nome da instituição, é hora de você começar a trabalhar em parceria. Léo Voigt sugere que a entidade apresente um projeto por escrito para o qual seria destinada a doação. Um roteiro de como serão feitos os investimentos, qual o retorno que se espera do projeto, prazos etc. "Um dos principais erros cometidos atualmente pelas pessoas e empresas que fazem doações é que elas não se informam direito sobre o que será feito com o dinheiro e criam expectativas, muitas vezes, irrealistas. Acham que vão mudar o mundo", afirma Voigt. Em alguns casos, quando se sabe qual será o projeto beneficiado, é possível organizar um calendário de doações. Elas podem até ser realizadas em etapas e não de uma só vez.Além disso, ao ter em mãos um documento fica muito mais fácil cobrar depois.

7) Esteja atento aos resultadosNão pense que sua participação chegou ao fim. Se você desistir agora, pode pôr tudo a perder. Para qualquer doação ser eficaz, você precisa acompanhar os resultados. Para estar ligado, peça informes periódicos para a entidade. Dados como o número de pessoas beneficiadas pelo projeto, o que foi concluído e o que ainda falta. Dessa forma, você corre menos riscos de ver seu dinheiro aplicado em projetos ineficazes. "Se você faz uma doação para uma escola pobre, não quer ver seu dinheiro aplicado na reforma da sala do diretor, mas na compra de material didático para os alunos", diz Voigt.

8) Você não é o dono da bola só porque fez uma contribuição à entidadeTenha cuidado para não inverter os papéis. Não é porque você fez uma doação para determinada entidade que poderá entrar lá e comandar tudo do seu jeito. "Esse é um dos equívocos mais comuns cometidos pelos colaboradores, que acabam se sentindo os donos do pedaço", afirma Oded Grajew, do Instituto Ethos. É preciso respeitar o trabalho da instituição e até ajudar com seu conhecimento ou experiência, mas sem mudar o que já é feito com eficiência.

9) Há Benefícios Financeiros?Os benefícios financeiros de se fazer uma doação são irrisórios. Não há um programa eficaz de estímulo à filantropia no país. Uma das exceções é a cultura. Qualquer pessoa pode ajudar o financiamento de um projeto cultural e ter esse valor deduzido até 6% (pessoa física) e 4% (pessoa jurídica) do imposto a pagar. No caso dos filmes, a dedução é de até 3%. Quem ultrapassa esses limites não tem restituição sobre o excedente. Além da cultura, as doações ao fundo da Criança e do Adolescente também contam com benefício fiscal. O limite da dedução do imposto é de 6% para pessoa física e 1% para pessoa jurídica.

10) Talvez você possa ser um sócio-contribuinte

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